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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Projeto Tembiu completa onze anos


O Projeto Tembi-u foi criado por Luiz Pagano em 2015, quando ainda trabalhava na Pernod Ricard, utilizando verba da marca Absolut Vodka. A proposta tinha um objetivo claro: levar para a coquetelaria elementos que já eram amplamente utilizados na gastronomia amazônica, mas que ainda não tinham sido incorporados de forma sistemática nos bares e restaurantes dos grandes centros urbanos. A ideia consistia em instigar a mistura dos Absolut Sabores — Vanilia, Citron, Kurant, Mango e outros — com ingredientes amazônicos, criando uma fusão entre a sofisticação da mixologia internacional e a ancestralidade brasileira.


Para garantir autenticidade e profundidade cultural, Pagano contou com a curadoria dos irmãos Thiago e Felipe Castanho, chefs paraenses reconhecidos por seu trabalho de valorização da culinária amazônica. A equipe viajou até Belém, onde realizou uma imersão guiada pelos Castanho, visitando locais emblemáticos como a Ilha do Combu, famosa pelos chocolates e cupulates produzidos por Dona Nena, que se tornaram símbolos da força da produção artesanal amazônica. Essa experiência foi fundamental para selecionar frutas, ervas e especiarias que compuseram uma mesa exuberante e se tornaram a base para drinks inéditos.

Alan Souza, Rafael Mariachi, James Guimarães e Luiz Pagano


Pagano teve o apoio dos bartenders e mixologistas da própria Pernod Ricard — James Guimarães, Alan Souza e Rafael Mariachi — que participaram ativamente da criação e execução dos coquetéis. Foi nesse contexto que ingredientes como o jambu, os adoçantes naturais amazônicos, as essências de cheiro, a pimenta-de-macaco e até o patchuli foram apresentados de forma sistemática aos bartenders dos grandes centros urbanos do Brasil. Hoje, esses elementos são comuns na coquetelaria nacional, mas foi o Tembi-u que os introduziu e mostrou seu potencial criativo.



A relevância do projeto foi tamanha que, durante a imersão em Belém, a equipe chegou a ser entrevistada pela Globo local, ampliando a visibilidade da iniciativa e reforçando seu caráter inovador. O Tembi-u não se limitou a ser um evento gastronômico: tornou-se um marco cultural, mostrando que a coquetelaria pode dialogar com a ancestralidade indígena e com a biodiversidade amazônica, criando uma identidade brasileira própria.


O Projeto Tembi-u trouxe de volta as chamadas ‘festas de exploradores’, que eram feitas pelas famílias paulistanas no final do século XVI.

A logística para transportar os insumos do Projeto Tembi-u foi complexa e exigiu soluções criativas. Muitos ingredientes amazônicos são extremamente delicados e perdem rapidamente suas características quando retirados de sua forma natural. A castanha-do-pará, por exemplo, perde sabor e textura em poucos minutos após ser retirada do ouriço, o que obrigou a equipe a levar os frutos ainda fechados. Grande parte dos insumos foi embalada em sacos a vácuo, garantindo frescor e preservação até o momento do evento.

Entre os ingredientes levados estavam ervas e raízes de grande valor cultural e sensorial, como o jambu, famoso por provocar dormência e formigamento na boca, e sua flor, que intensifica esse efeito e se tornou muito usada em drinks. A priprioca, raiz aromática de notas terrosas e amadeiradas, foi utilizada em infusões, enquanto o cumaru, conhecido como “baunilha amazônica”, trouxe aromas que lembram baunilha, amêndoa e canela. O puxuri, com notas próximas de noz-moscada e cravo, também esteve presente, assim como ervas tradicionais como a chicória-do-Pará, a alfavaca amazônica, o mastruz, alecrim d´Angola e a catinga-de-mulata, todas com aromas intensos e perfumados.

As pimentas amazônicas deram um caráter marcante às criações. A pimenta-de-cheiro, extremamente aromática e pouco ardida, contrastava com a murupi, de picância elevada e aroma frutado. A pimenta-de-macaco trouxe um sabor resinoso e selvagem, enquanto variedades como cumari, malagueta amazônica e olho-de-peixe adicionaram diferentes níveis de ardência e complexidade.

As frutas amazônicas foram outro destaque. O cupuaçu, com sabor entre chocolate branco e frutas tropicais, e o bacuri, considerado uma das frutas mais aromáticas da região, impressionaram pela intensidade. O taperebá, ácido e refrescante, foi usado como base para coquetéis, enquanto frutas como tucumã, pupunha, buriti, murici, araçá-boi, camu-camu, jenipapo, uxi, abiu, bacaba, patauá, cubiu, biribá e piquiá trouxeram uma paleta de sabores que variava entre notas cítricas, vínicas, oleosas e cremosas.

Na noite anterior ao evento, a logística foi cuidadosamente planejada: mais de 110 elementos da floresta amazônica foram embalados, alguns deles a vácuo, garantindo que chegassem em perfeitas condições de uso em São Paulo e preservassem toda a sua potência aromática e sensorial.


As castanhas e sementes também tiveram papel importante. A castanha-do-pará, levada inclusive dentro de seus ouriços originais, foi acompanhada pela sapucaia e pela amêndoa de cupuaçu, usada para produzir o cupulate, além dos nibs de cacau amazônico.

Os produtos derivados da mandioca reforçaram a identidade amazônica: o tucupi amarelo, ácido e complexo, e o tucupi preto, reduzido por horas até adquirir sabor profundo semelhante ao molho de soja, foram acompanhados por farinhas tradicionais como a d’água e a de Uarini, além de goma de tapioca, beiju, crueira e maniçoba.

Para a coquetelaria, foram levados extratos e óleos aromáticos, como o de jambu, priprioca e puxuri, além de méis de abelhas nativas como uruçu e jandaíra. Licores de bacuri e cupuaçu, polpas de murici e taperebá completaram a seleção, oferecendo bases tropicais e exóticas para os drinks.

Thiago e Felipe castanho em reunião com a equipe do Projeto Tembiu


Essa seleção impressionou chefs e bartenders pela intensidade aromática e pela diversidade de sabores. Ingredientes como a priprioca, o cumaru, o puxuri, o tucupi preto, a flor de jambu, o bacuri, o murici e a castanha-do-pará no ouriço se tornaram símbolos da inovação trazida pelo Tembi-u, marcando a coquetelaria brasileira com uma identidade própria e profundamente ligada à ancestralidade amazônica.

Tupinista

O movimento Tupinista, criado por Luiz Pagano, nasceu do desejo de resgatar e reinterpretar tradições ancestrais brasileiras, trazendo-as para o presente em diálogo com a arte, a gastronomia e a coquetelaria. Dentro desse espírito, o Projeto Tembi-u foi concebido como uma recriação contemporânea das antigas “festas de exploradores” realizadas em São Paulo no século XVI. Essas celebrações, feitas por famílias de portugueses e indígenas Guayanás, marcavam conquistas, nascimentos e vitórias, e eram momentos de encontro entre culturas.
 
João Ramalho e Bartira experimentando frutos de regiões mais afastadas da planície Paulistana

Ao escolher o nome Tembi-u, Pagano buscou inspiração no guarani neológico tembi’uapokuaa, que significa “gastronomia” ou “ciência de fazer comida”. Em tupi antigo, cognatos como mbi’uapokuaba reforçam a ideia de alimento como objeto da ação humana, numa construção linguística que revela a profundidade cultural da palavra. A opção por esse termo evitou associações com o vocábulo pepyra, ligado a banquetes antropofágicos, já que o projeto tinha como foco a celebração dos sabores e da cultura, sem interpretações que pudessem ser mal compreendidas por religiosos ou pela imprensa.

O evento foi comparado à Semana de Arte Moderna de 1922, mas aplicado à coquetelaria. Assim como o movimento modernista, o Tembi-u absorveu técnicas globais e devolveu uma identidade própria, 100% brasileira. Essa dimensão antropofágica, no sentido cultural proposto por Oswald de Andrade, foi traduzida em drinks que uniam Absolut Sabores a ingredientes amazônicos, criando uma experiência única.
 
Habitantes da Vila de São Paulo de Piratininga tinham que passar pelo Pico do Jaraguá (guardiões do vale em Tupi Antigo) para chegar ao interior

Durante a celebração, cada brinde era acompanhado pela saudação em tupi antigo: “T’ereîkokatu!”, que significa “Saúde, que te sucedam bem os acontecimentos”. Essa escolha linguística reforçou o vínculo com a ancestralidade e deu ao evento uma atmosfera ritualística, em que a língua indígena se tornava parte viva da experiência.

A festa do dia 06 de Abril de 2015

 
Na expedição na região amazônica, Luiz Pagano e sua equipe de mixologistas tiveram os irmãos Tiago e Felipe Castanho como guia para conhecer não só as frutas e ervas da região, mas a riqueza de seu povo e sua sustentabilidade

O Projeto Tembi-u teve seu ápice no dia 6 de abril de 2015, no Centro Cultural Rio Branco, em São Paulo. Mais do que uma celebração gastronômica, o evento se transformou em um espaço de reflexão e diálogo sobre identidade cultural, ancestralidade e o papel da Amazônia na construção de uma gastronomia brasileira única.

Cronograma do Evento

11h00 – Recepção  
Hostes posicionam-se na porta para receber os convidados.

12h00 – Finger food  
Serviço de pequenas entradas criadas pela chef Regina Pelegrini.

13h00 – Fechamento da sala  
Preparação final para início oficial da programação.

13h15 – Abertura  
Luiz Pagano apresenta o projeto e fala sobre os irmãos Castanho.

13h45 – Palestra dos Castanho  
Thiago e Felipe Castanho compartilham suas experiências e reflexões sobre a gastronomia amazônica.

Forum de debates


14h00 – Fórum  
Espaço de diálogo sobre ancestralidade, identidade cultural e inovação.

15h00 – Laboratório de drinks  
Bartenders experimentam ingredientes amazônicos, com apoio dos mixologistas da Pernod Ricard e dos irmãos Castanho.

Bartenders e mixologistas degustando centenas de ervas, frutas e especiarias da Amazônia em cabaças modernas com o logotipo da Absolut Vodka.


16h30 – Encerramento  
Brindes coletivos com a saudação em tupi antigo: “T’ereîkokatu!”.

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Durante a festa, os irmãos Thiago e Felipe Castanho conduziram uma conversa que marcou profundamente os presentes. Ambos ressaltaram que o dilema enfrentado pelos bartenders e chefs da região Sudeste — e do restante do Brasil — é semelhante ao que eles vivem na Amazônia: a dificuldade de colocar o país em um lugar de destaque no cenário internacional, mostrando ao mundo que o Brasil possui uma cultura singular, riquíssima e de origem ancestral. Thiago, em especial, tem se consolidado como uma das vozes mais relevantes da gastronomia amazônica. À frente de restaurantes como o Remanso do Bosque e o Remanso do Peixe, ele lidera pesquisas sobre ingredientes nativos e práticas sustentáveis, sendo referência para chefs de renome como Alex Atala e Ferran Adrià. Seu trabalho reforça que a floresta não é apenas um território de biodiversidade, mas também um patrimônio cultural e gastronômico que precisa ser valorizado e reconhecido globalmente.

Luiz Pagano em entrevista à TV Liberal, afiliada da Rede Globo em Belém, sobre o Projeto Tembiu - Casa da Dona Nena, Ilha do Combu - março de 2015


Ao ouvir essas colocações, Luiz Pagano compartilhou sua própria impressão da experiência amazônica. Ele descreveu que se sentiu como em uma viagem ao exterior, tamanha a novidade dos múltiplos nomes desconhecidos, dos pratos e do timing culinário tão diferente do restante do Brasil. A sensação era de estar em um país distante, como o Japão, mas dentro do próprio território brasileiro. Essa percepção reforçou a ideia de que a Amazônia é um universo cultural à parte, capaz de surpreender até mesmo os brasileiros mais familiarizados com a diversidade nacional.

Saudoso Mestre Derivan recebendo o carinho dos irmãos Thiago e Felipe Castanho

Esse diálogo entre os Castanho e Pagano deu ao evento uma dimensão ainda maior. Não se tratava apenas de apresentar ingredientes amazônicos à coquetelaria, mas de reconhecer que o Brasil possui uma identidade gastronômica própria, construída a partir de sua ancestralidade indígena e de sua biodiversidade incomparável. O Tembi-u, nesse sentido, foi mais do que uma festa — foi um manifesto cultural que reafirmou o papel da Amazônia como fonte de inovação e inspiração para todo o país, e como prova viva de que a coquetelaria e a gastronomia brasileiras podem dialogar com o mundo sem perder sua essência.
 
O evento chegou a ser comparado com a semana de arte moderna de 1922 para a gastronomia e coquetelaria - T'ereîkokatu! (Saúde!, que te sucedam bem os acontecimentos – em Tupi antigo)
Cada vez que surgia um brinde no evento, usávamos o termo T'ereîkokatu! (Saúde!, que te sucedam bem os acontecimentos – em Tupi antigo).

Repercussões

Passados dez anos de sua realização, o Projeto Tembi-u é lembrado menos como um evento isolado e mais como um laboratório de intenções. O projeto tinha, desde a origem, um objetivo comercial claro: buscar miscibilidade entre os SKUs da linha Absolut Sabores — Vanilia, Citron, Mango, etc. — e ingredientes amazônicos, de modo a acelerar suas vendas no mercado brasileiro. Esse objetivo foi atingido. 

Absolut Mango no projeto Tembiu

Ao mesmo tempo, a iniciativa cumpriu um papel secundário, mas relevante: mostrou a bartenders e visitantes estrangeiros as múltiplas possibilidades sensoriais da Amazônia, apresentando o jambu, a priprioca, o cumaru, o puxuri e o tucupi preto não como curiosidades exóticas, mas como insumos aplicáveis à mixologia internacional.

O projeto não foi concebido com a intenção direta de remunerar comunidades ancestrais da Amazônia. Sua proposta era abrir possibilidades para o mundo da coquetelaria, fornecendo informação básica, técnica e cultural sobre ingredientes até então restritos ao Norte do país. Foi a partir dessa difusão que novas ideias puderam surgir — e, com elas, a geração posterior de resultados para comunidades ribeirinhas e etnias fornecedoras. O jambu, que já circulava em Belém desde os anos 1990 com a cachaça de Leodoro Porto, ganhou escala nacional nos anos seguintes, chegando a bares de São Paulo e ao carnaval de rua, movimento que o próprio setor viria a registrar como a “onda da cachaça de jambu”.

Há, ainda, uma repercussão menos visível, mas central para a trajetória de Pagano: o Tembi-u foi a primeira oportunidade pública em que ele pôde falar sobre o Cauim Tiakau Ali, no Centro Cultural Rio Branco, entre as mesas com mais de 110 elementos da floresta embalados a vácuo e os brindes em tupi antigo, foi apresentado, ainda que de forma embrionária, o desejo de construir uma plataforma voltada a etnias optantes — não mais como fornecedoras pontuais de insumos, mas como protagonistas de um modelo de negócio cultural.

Nesse sentido, o Tembi-u não se encerrou em 6 de abril de 2015. Ele funcionou como ensaio para que a ideia de que a coquetelaria brasileira pode ser, ao mesmo tempo, vitrine comercial e ferramenta de articulação territorial. Repercussões*

Bartenders e mixologistas tiveram a oportunidade de colocar a mão na massa e preparar drinques com mais de 110 ingredientes amazônicos.

Passados dez anos de sua realização, o Projeto Tembi-u é lembrado menos como um evento isolado e mais como um laboratório de intenções. Criado por Luiz Pagano em 2015, ainda dentro da Pernod Ricard, o projeto tinha, desde a origem, um objetivo comercial claro: buscar miscibilidade entre os SKUs da linha Absolut Sabores — Vanilia, Citron, Kurant, Mango — e ingredientes amazônicos, de modo a acelerar suas vendas no mercado brasileiro. Esse objetivo foi atingido. Ao mesmo tempo, a iniciativa cumpriu um papel secundário, mas relevante: mostrou a bartenders e visitantes estrangeiros as múltiplas possibilidades sensoriais da Amazônia, apresentando o jambu, a priprioca, o cumaru, o puxuri e o tucupi preto não como curiosidades exóticas, mas como insumos aplicáveis à mixologia internacional.

O projeto não foi concebido com a intenção direta de remunerar comunidades ancestrais da Amazônia. Sua proposta era abrir possibilidades para o mundo da coquetelaria, fornecendo informação básica, técnica e cultural sobre ingredientes até então restritos ao Norte do país. Foi a partir dessa difusão que novas ideias puderam surgir — e, com elas, a geração posterior de resultados para comunidades ribeirinhas e etnias fornecedoras. O jambu, que já circulava em Belém desde os anos 1990 com a cachaça de Leodoro Porto, ganhou escala nacional nos anos seguintes, chegando a bares de São Paulo e ao carnaval de rua, movimento que o próprio setor viria a registrar como a “onda da cachaça de jambu”.

Há, ainda, uma repercussão menos visível, mas central para a trajetória de Pagano: o Tembi-u foi a primeira oportunidade pública em que ele pôde falar sobre o Cauim Tiakau. Ali, no Centro Cultural Rio Branco, entre as mesas com mais de 110 elementos da floresta embalados a vácuo e os brindes em tupi antigo, foi apresentado, ainda que de forma embrionária, o desejo de construir uma plataforma voltada a etnias optantes — não mais como fornecedoras pontuais de insumos, mas como protagonistas de um modelo de negócio cultural.

O amigo sempre presente e entusiasta dos projetos, Rodman Paixão (Hilton), experimentando iguarias amazônicas em pequenos potes indígenas de Icoaraci.

Nesse sentido, o Tembi-u não se encerrou em 6 de abril de 2015. Ele funcionou como ensaio para o que viria depois no Instituto Cultural Santos Dumont e no CAUIM: a ideia de que a coquetelaria brasileira pode ser, ao mesmo tempo, vitrine comercial e ferramenta de articulação territorial. As ressalvas que hoje se fazem — sobre apropriação, sobre remuneração, sobre o risco da folclorização — encontram no próprio projeto sua resposta mais honesta: ele nunca se apresentou como solução social acabada, mas como abertura de repertório. E foi desse repertório que nasceram, nos anos seguintes, as conversas mais consistentes sobre cadeia de valor, autoria indígena e sustentabilidade na Amazônia. E foi desse repertório que nasceram, nos anos seguintes, as conversas mais consistentes sobre cadeia de valor, autoria indígena e sustentabilidade na Amazônia.

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