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terça-feira, 30 de maio de 2023

Cauim - Sugestão de Aculturação e Produção por Outras Etnias e Comunidades Brasileiras

 
Fonte alegoria o mascar mandioca para quebrar o amido em açúcares - Tupi antigo Aîpi o- su'u su'u I nomu - Luiz Pagano Tupi Pop

Este artigo explora o processo de introdução no mercado e aculturação da categroia de bebidas denomiada 'Cauim', uma bebida milenar. O estudo sugere idéias generalizadas sobre o que pode e o que não pode funcionar, para uma segura introdução de categoria. 


A Redescoberta Comercial de Uma Bebida Ancestral

O que é Cauim?

Cauim é uma bebida fermentada tradicional produzida e consumida por comunidades indígenas em diferentes partes do Brasil há séculos. É feito de Mandioca (Manihot esculenta Crantz) e normalmente tem um teor alcoólico baixo a moderado.

O processo de fabricação do Cauim envolve a fermentação de raízes de mandioca ou fécula de mandioca, que são primeiro mastigadas ou raladas para quebrar as enzimas e converter os amidos em açúcares. A mandioca mastigada ou ralada é então misturada com água e deixada para fermentar em grandes vasilhas, muitas vezes feitas de barro ou madeira. Durante a fermentação, leveduras naturais presentes no ambiente convertem os açúcares em álcool, resultando na produção do Cauim.

Cauim tem grande significado cultural e social para as comunidades indígenas. É uma parte importante dos rituais religiosos, cerimônias e reuniões sociais, servindo como um símbolo da unidade da comunidade e das tradições ancestrais. Canções, danças e contação de histórias, reforçando as ligações culturais e espirituais dos indígenas com sua terra e patrimônio, costumam acompanhar o preparo e o consumo do Cauim.

Nos últimos anos, graças aos esforços de Luiz Pagano e Hildo Sena, Cauim começou a ganhar atenção além das comunidades indígenas, com alguns esforços para promover e comercializar a bebida para um público mais amplo. Essas iniciativas visam preservar e celebrar a cultura indígena, além de proporcionar oportunidades econômicas para as comunidades envolvidas na produção de Cauim. No entanto, é fundamental abordar a comercialização do Cauim com sensibilidade e respeito pelas tradições indígenas, garantindo que seja feito em colaboração com as comunidades e de forma a preservar a integridade cultural da bebida.

 

Avisos

AVISOS IMPORTANTES
1º                      


2º 
 
Respeito aos nossos ancestrais

O Cauim é o nome genérico dado à bebida fermentada de mandioca, que não deve ser confundido de forma nenhuma com a cauinágem, ritual ancestral da cultura material brasileira, pré colombiana, celebrado ainda hoje em varias aldeias, cuja dinâmica varia de etnia para etnia e merecem todo nosso amor, admiração e respeito.  Jamais devemos reduzir esse ritual de tamanha importância e relevância a uma mera bebida de uso recreacional.


Respeito à bebida

Ainda considerando o 1º ponto acima, dentro do meu propósito de resgate cultural da aldeia do Inhapuambuçu da vila de São Paulo de Piratininga, do Tupi Antigo e do Cauim, sugiro fortemente que leve em conta todo o aspecto religioso e cultural envolvido no preparo da bebida, usando nomes em Tupi Antigo para os processos e tendo o devido respeito pelas evocações da deusa Mani, tal como sugerido por diversos indígenas de diversas etnias, que me auxiliaram no desenvolvimento da bebida e desse DOBUROKU (processo resumido).


O Projeto Cauim, como o nome indica, visa recriar a mais antiga e emblemática bebida alcoólica brasileira, o Cauim, de forma a valorizar a cultura brasileira, em especial as indígenas, promovendo seu protagonismo, com desenvolvimento sustentável das comunidades envolvidas no processo.

O projeto foi concebido em 2011 e está em andamento desde então.

1. Sumário Executivo

Este trabalho tem como objetivo abordar a promoção da aculturação do Cauim, bebida ancestral indígena, com o objetivo de criar uma nova categoria de bebidas e conquistar consumidores no Brasil e no mundo.

A primeira parte do estudo fornecerá algumas informações básicas sobre os métodos de produção; dar dicas e orientações sobre como promover essa aculturação de forma respeitosa, preservando a autenticidade e tradição da bebida ancestral. Será proposto um formato colaborativo, semelhante a um wiki, permitindo que outros contribuam com seus conhecimentos e enriqueçam o projeto em escala multiplicativa.

A segunda parte traçará nossa estratégia de implantação do projeto, as etapas e ações necessárias para consolidar a Cauim como uma categoria de bebidas reconhecida e respeitada no mercado. O plano de negócios inclui pesquisa e análise de mercado para identificar consumidores-alvo, tendências de mercado e concorrentes em potencial. Ele também descreve o processo de produção, medidas de controle de qualidade e canais de distribuição para Cauim. Além disso, esta seção destaca os aspectos financeiros do projeto, incluindo estimativa de custo, projeções de receita e possíveis fontes de financiamento.

O objetivo é fornecer um roteiro abrangente e prático para introduzir o Cauim com sucesso no mercado e construir um negócio sustentável em torno dessa bebida cultural.



PRIMEIRA PARTE - Sugestão de Introdução de Processos de Produção e Aculturação de Produtos

1.1- Produção

Atualmente, existem três métodos de produção de Cauim:

1.1.1 - O primeiro é o método ritualístico realizado nas aldeias indígenas, que consiste na quebra do amido em açúcares por meio da amilase salivar,
esta forma de produção é exclusivamente para fins cerimoniais e não se destina ao mercado comercial, pois esta espécie de Cauim é considerada parte de um ritual sagrado;

1.1.2 - O segundo método é conhecido como Método Japonês ou Método Pagano, em homenagem a Luiz Pagano. Em que o koji (Aspergillus oryzae), um fungo usado na produção de SAKE e várias outras bebidas tradicionais japonesas, é usado para quebrar o amido em açúcares;

1.1.3 – O terceiro método é o método Sena ou método enzimático, onde o amido é decomposto por enzimas de laboratório. Este método permite um controle preciso sobre o processo de fermentação e pode ser usado para produzir Cauim com características específicas.

Cada método tem suas próprias características e significados únicos. A escolha do método depende do contexto cultural/de mercado, dos recursos disponíveis e do resultado desejado.

1.2 - Quem somos nós?

Hildo Sena e Luiz Pagano na prieira apresentação do Cauim Tiakau para profissionais de bebidas no BCB Bar Convent de São Paulo

Luiz Fernando Pagano Brundo

Consultor de empresas especializado em aculturação de produtos, com extensão em Marketing pela ESPM (2017), pós-graduação em Negócios Internacionais pela FGV-PEC (1992) e graduação em administração de empresas pela UNIFIEO (1990); com larga experiência na introdução de produtos no mercado brasileiro (Flash Power, Red Bull, Franziskaner Weiss Bier, Löwenbräu, Russian Vodka, Russkiy Razmer, Veda Waltz Boston, Veuve Clicquot Ponsardin); artista plástica, idealizadora de projetos de valor à cultura brasileira e ao meio ambiente (movimento artístico Tupi-Pop iniciado em 2010, TEMBIU 2015, ao lado dos chefs Tiago e Felipe Castanho, valorizando elementos da Amazônia em alta coquetelaria, e o Desfile Capivara 2016 em Curitiba , campanha de manifestação ecológica nos centros urbanos brasileiros);

- Pedido de Patente do Método Pagano
INPI BR10 2017 013711 2

O Cauim de Luiz Pagano

Produzir Cauim é um Affair essencialmente brasileiro e essencialmente Tupi. Trata-se muito mais de resgatar nossas raízes do que de fazer a própria bebida alcoólica, esta obra reflete uma viagem de fascínio pelo Brasil e sendo brasileiro, desde muito jovem fui cativado pela riqueza cultural e histórica deste extraordinário país, desde quando Ouvi histórias do Pará, Amazonas e Mato Grosso contadas por meus tios-avós, a cada ano que passava procurava enriquecer ainda mais meu compêndio de aspectos brasileiros com as novidades que mais me encantavam.

Instrumentos, objetos artísticos e religiosos que Luiz Pagano utilizou para criar o Cauim Tiakau - Ciente de que desenvolver comercialmente o Cauim seria algo de enorme importância, se comparando à adoção do saquê por toda a nação japonesa, trazendo intrinsecamente a cultura e a religião representadas em uma bebida, Luiz Pagano, ao desenvolver o método japonês de produção do Cauim, levou em consideração não apenas a ciência, mas também a arte e a espiritualidade.

Como artista, criei um estilo de arte pessoal que chamo de Tupi-Pop (que ilustra este post), no qual tento valorizar nossos elementos com uma paixão nacional, semelhante à que os japoneses cultivam em sua própria história, mas foi através da literatura, principalmente das obras de Lima Barreto, que encontrei uma ligação profunda com a identidade brasileira. O livro "Triste Fim de Policarpo Quaresma" me marcou a ponto de criar uma história em quadrinhos intitulada "Os Heróis da Bruzundanga" com personagens criados a partir de suas obras.

Lembro que me envolvi tanto com o personagem de Quaresma que queria o tupi como língua nacional, a ponto de despertar em meu coração a percepção de que nós também deveríamos tomar uma bebida que nos representasse tão poderosamente quanto o saquê no Japão ou a tequila no México . E assim Cauim acabou sendo a essência que eu procurava.

É importante ressaltar que, com todo o respeito e amor que tenho pelo produto, a cachaça cumpre esse papel, principalmente por causa da Caiirinha, bebida essencialmente brasileira que meu grande amigo, Mestre Derivan, tanto se esforçou colocar como bebida brasileira na IBA ao lado do Rabo de Galo (bebida brasileira que sátira com a palavra em inglês 'cocktail').

Mas mesmo assim, a cachaça não tem potencial para representar o Brasil com tanta autenticidade quanto o Cauim, já que outras bebidas feitas a partir da cana-de-açúcar estão presentes no mundo todo, matéria-prima que nem é das Américas, o Cauim feito da própria brasilidade a mandioca, pelos nossos ancestrais mais antigos cumpre perfeitamente esse papel

Trabalho há mais de 30 anos com a introdução de produtos no mercado, muitos deles bebidas, aprendi na escola francesa de marketing de bebidas que um prato acompanhado de uma bebida é uma forma de introjetar a cultura de um determinado região geográfica, daí a importância das Denominações de Origem.

Sinto uma imensa gratidão por poder contribuir para a valorização da nossa história e cultura através do Cauim. Percebi que há um imenso potencial em nossas tradições e que muitas vezes são subestimadas ou até mesmo esquecidas - então decidi que era hora de mudar isso.

O Brasil é uma nação de histórias emocionantes e fascinantes, mas nem sempre recebem a atenção que merecem, um bom exemplo é que tivemos nossa própria "corrida do ouro" com expedições de bandeiras ainda mais ousadas que as americanas de Jack London, que merecia ter sido contada com o mesmo entusiasmo e emoção, mas infelizmente poucos escritores deram voz aos nossos heróis para relatar os dramas inimagináveis e as aventuras extraordinárias.

Este projeto em minhas mãos é fruto da minha paixão pelo Brasil, da minha crença na força da cultura e na importância de celebrar a nossa história, é uma viagem emocionante que nos levará a descobrir a essência do nosso povo ancestral, a nossa identidade e sua ligação com o passado.

Espero que, ao ler estas páginas, você também se envolva nesse amor pelo Brasil e pela nossa cultura, e que me ajude a fazer essa bebida grudar, que se inspire a valorizar e celebrar tudo o que somos e que , juntos, podemos fortalecer os laços que nos unem como nação.

Hildo Costa de Sena

Mestre em engenharia química pela UNICAMP (2011) e engenheiro químico pela Universidade Federal de Sergipe, Brasil - UFS (2008); pesquisador na área de Ciência e Tecnologia de Alimentos com ênfase em Fisiologia Pós-colheita e Tecnologia de Bebidas, professor de nível superior no Curso Superior de Tecnologia em Biocombustíveis da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Araçatuba-SP administrado pelo Centro Estadual de Tecnologia Formação Paula Souza (CEETEPS) para as disciplinas de Análise Instrumental, Operações Unitárias, Processos de Fermentação e Produção de Bioetanol; ainda mestre pela CANA BRASIL (2016), pesquisador na área de bebidas fermentadas-carbonatadas e fermentadas-destiladas e/ou retificadas;

- Pedido de Patente do Método Sena
INPI BR10 2019 015534 5

1.3 - Um Roteiro para Introdução

Como disse antes, não vou falar aqui das minhas estratégias específicas, a ideia é oferecer um 'roteiro' para quem quiser seguir meus passos com sua própria estratégia.

O estudo também investiga as motivações para reviver e promover o Cauim como uma bebida comercialmente disponível para o público em geral. A importância do mercado é examinada, destacando oportunidades para Cauim na indústria de bebidas. Além disso, é apresentada uma análise abrangente de casos de sucessos e insucessos, extraindo lições valiosas para a introdução de Cauim.

Os capítulos subsequentes concentram-se nas estratégias de marketing, abrangendo o direcionamento, o posicionamento do produto, a comunicação, a distribuição e o preço. Discute-se o envolvimento das comunidades indígenas, detentoras de saberes ancestrais do consumo ritualístico do Cauim, enfatizando a importância da preservação e da colaboração cultural. O trabalho também discute a importância da sustentabilidade e responsabilidade social na produção do Cauim, considerando o impacto ambiental e o reinvestimento na cultura indígena. Ao estudar esses aspectos, esta pesquisa visa fornecer um roteiro para introduzir e aculturar o Cauim com sucesso, garantindo seu reconhecimento como uma bebida culturalmente significativa no mercado brasileiro.



1.4 - A importância da nova categoria de bebidas alcoólicas ‘Cauim’

A introdução de uma nova categoria de bebidas, como a CAUIM, no mercado brasileiro e mundial pode trazer uma série de benefícios significativos. Esses benefícios abrangem aspectos culturais, econômicos, sociais e ambientais, entre outros. Abaixo, vamos explorar esses benefícios em detalhes:

1.4.1 - Diversidade Cultural: A introdução do CAUIM no mercado contribui para a diversidade cultural, promovendo a preservação e valorização das tradições ancestrais. O CAUIM é uma bebida tradicionalmente consumida por diversas culturas indígenas no Brasil, e sua entrada no mercado amplia a oferta de bebidas, proporcionando aos consumidores uma experiência única e enriquecedora;

1.4.2- Valorização do Patrimônio Cultural: Ao apresentar o CAUIM ao mercado, valoriza-se o patrimônio cultural das comunidades indígenas que há séculos produzem e consomem esta bebida. Isso contribui para o reconhecimento e respeito à cultura indígena, ajudando a preservar suas tradições e saberes transmitidos de geração em geração;

1.4.3 - Estímulo à Economia Local: A introdução do CAUIM no mercado dinamiza a economia local, beneficiando as comunidades indígenas produtoras da bebida. A produção e comercialização do CAUIM podem gerar oportunidades de emprego e renda para essas comunidades, gerando um impacto econômico positivo e sustentável.

Um bom exemplo é a possível substituição do uso do sagu no método japonês:

Um dos pontos propostos neste artigo é o efeito 'Wiki', em que, quando um processo é apresentado ao grande público, a inovação cresce exponencialmente de acordo com o número de leitores que tentam refazer os experimentos, um bom exemplo do que pode ser melhorado é a utilização da matéria-prima do Método Japonês (Pagano).

Quando eu estava desenvolvendo o Método Japonês, percebi na época que a mandioca poderia ser um substituto ideal para o amido, lipídios, proteínas e outras substâncias que fazem do arroz um substrato quimicamente perfeito para o koji, mas minhas experiências com mandioca in natura, assim como seu amido, não apresentou resultados satisfatórios, pois o koji requer não apenas semelhanças químicas, mas também morfológicas específicas - o formato e a textura do arroz influenciam diretamente no crescimento do Koji.

Percebendo isso em nossas experiências, usei pérolas de mandioca (sagú / itaitinga beiju) como um substituto mais adequado para o arroz e funcionou bem, mas reconheço agora que se alguém, de qualquer outra etnia/comunidade que optar pelo projeto, ser do Estado de Pará, pode substituir a farinha de sagu pela farinha d'água de Bragança, principalmente se o produtor se esforçar, no processo produtivo, para tentar obter propriedades físicas semelhantes às do arroz na produção da farinha.

Substituir as pérolas de mandioca (sagú / itaitinga beiju) por Farinha de Bragança, no Estado do Pará pode gerar enormes beneficios qualitativos ao Cauim, bem como um enorme potencial comercial de valorização da bebida produzida naquela região

Este seria um passo importante para Cauim, tanto na criação de propriedades sensoriais mais avançadas quanto no aumento de seu apelo comercial, já que em maio de 2021 a Farinha de Bragança de Caeté (farinha de mandioca/mandioca desta região específica) recebeu o título de Indicação Geográfica de Origem pelo INPI, que gera um enorme potencial comercial de valorização do Cauim produzido naquela região, aumentando sobremaneira o sucesso do processo de aculturação do Cauim, perante um público mais sofisticado;

1.4.4 - Turismo Cultural: A presença do CAUIM no mercado pode atrair turistas interessados em vivenciar a cultura indígena e degustar essa bebida tradicional. Isso impulsiona o turismo cultural, promovendo a visitação às comunidades indígenas, o turismo sustentável e a valorização de destinos turísticos menos explorados.

1.4.5 - Inovação e Diferenciação: A introdução do CAUIM como uma nova categoria de bebidas traz inovação e diferenciação ao mercado. Isso proporciona ao consumidor uma opção única e autêntica, diferenciando-se das bebidas convencionais e oferecendo uma experiência sensorial diferenciada;

1.4.6 - Responsabilidade Ambiental: O CAUIM, quando produzido de forma tradicional, geralmente utiliza ingredientes naturais e processos sustentáveis. Isso pode contribuir para uma abordagem mais responsável em relação ao meio ambiente, incentivando práticas de produção sustentáveis e o uso de ingredientes orgânicos;

1.4.7 - Intercâmbio Cultural: A introdução do CAUIM no mercado brasileiro e mundial promove o intercâmbio cultural, permitindo que pessoas de diversas origens e nacionalidades conheçam e apreciem esta tradicional bebida. Isso fortalece os laços entre as culturas, incentiva o diálogo intercultural e promove maior compreensão e respeito pela diversidade;

1.5 - A arte de produzir e apresentar Cauim com sucesso

Embora este texto trate principalmente de estratégias genéricas e eu tenha afirmado que não trataria de experiências individuais, abro aqui um parêntese para falar sobre minhas motivações artísticas, pois, do ponto de vista artístico, o criativo precisa ser bombardeado com referências a criar algo robusto. A interação com essas referências e como o criativo as utiliza são fundamentais para alcançar resultados criativos. Com base nisso, gostaria de compartilhar alguns dos meus motivadores e referências pessoais, que serviram de base para a minha criação.

Quanto à produção de Cauim, eu fazia o que todo mundo que quer produzir Cauim faz, eu cozinhava a mandioca e mastigava, usando minha própria amilase salivar, como se faz nas aldeias. Depois disso explorei algumas possibilidades que não resultaram em sucesso até que entendi as semelhanças com o saquê e pesquisei o koji e com isso criei o método japonês.

Minha maior inspiração para o desenvolvimento do método japonês de produzir cauim foi George Washington Carver.

O Doutor George Washington Carver foi um cientista, educador e inventor americano - Foto cortesia do National Archives and Records Administration.  “I love to think of nature as an unlimited broadcasting station, through which God speaks to us every hour, if we will only tune in.” (“Adoro pensar na natureza como uma estação de transmissão ilimitada, por meio da qual Deus fala conosco a cada hora, se apenas sintonizarmos com ele.”). Com esta fala, o Dr. Carver demonstra como devemos proceder nossos esforços para a criação do Cauim, aliando as descobertas do conhecimento científico em perfeita harmonia com toda a espiritualidade envolvida no Cauim e na Cauinagem.

George Washington Carver (Diamond, Missouri, 1864 ou 1865 - Tuskegee, Alabama, 5 de janeiro de 1943) nasceu na época da escravidão, sofreu muito, mas nunca se deixou abater por ela. Foi um botânico, inventor, cientista, pintor e agrônomo americano (autodidata) que trabalhou na extensão agrícola do sul dos Estados Unidos da América.

Ensinou técnicas agrícolas para a autossuficiência de ex-escravos e ficou conhecido por sugerir centenas de usos para o amendoim.

Dentre suas muitas contribuições, criou o azul 'Índigo' que utilizamos no Jeans e pigmentos de diversas outras plantas com o objetivo de aumentar a prosperidade do indivíduo através da agricultura.

A soja e o amendoim foram objeto das grandes e pioneiras pesquisas de Carver, que ainda hoje são a base da indústria alimentícia americana e mundial. Ele foi pioneiro na aplicação de substâncias derivadas da agricultura para a indústria química, a quimiocirurgia, bem como nas pesquisas com a soja transformada em plástico, utilizada por Henry Ford na indústria automobilística. Sua história e contribuições me influenciaram profundamente na busca por uma abordagem científica minuciosa e inovadora, sem deixar de lado a sensibilidade humana ligada ao lado espiritual do objeto de estudo.

Carver, como eu, compartilhava um desejo ardente de seguir sua paixão, a pintura. Ele tinha o hábito de acordar antes de todos, por volta das 4 horas da manhã, e perambular pelos campos, acreditando que conseguia estabelecer uma conexão com Deus nessas horas.

Seu hiperinteresse por amendoim e algodão, bem como seus estudos detalhados por meio de observação cuidadosa e experimentação meticulosa, resultaram na criação de uma grande variedade de produtos.

Essa dedicação e perseverança de Carver foi um exemplo poderoso para mim, pois busquei desenvolver meu próprio método de produção de cauim.

No que diz respeito aos meus motivadores históricos pessoais, um elemento de autenticidade que impulsiona minha proposta de trazer a cultura indígena para os povos de hoje é o meu patrimônio histórico brasileiro. Minha avó, Dona Zuzú, Emília Correia de Moraes, nasceu e foi criada no triângulo histórico de São Paulo, no casarão da Rua da Glória número 4, região que remonta ao antigo vilarejo de Inhapuambuçu, lar dos icônicos Morubixaba (líder do clã) Tibiriçá, Padre Anchieta e Manoel de Nóbrega, fundadores da cidade de São Paulo. Imagino que em algum momento Tibiriçá tenha convidado João Ramalho para uma cauinagem para celebrar e cultuar o espírito do Anhangá, no Vale do Anhangabaú.


Luiz Pagano com Vó Zuzu (Emilia Francisca Correa de Moraes Pagano), que nasceu na Rua da Gloria n. 4, dentro do Traingulo Historico, descendente dos mais antigos habitantes de São Paulo de Piratininga (possivelmente de Tibiriçá), na casa de Dom Duarte Leopoldo n. 43, onde os tios-avós contaram histórias sobre o Brasil e os antepassados do Pará, Amazonas e Mato Grosso.

Esses elementos históricos e culturais ganham vida na minha proposta de aculturação do Cauim e na expressão artística do tupi pop. Junto com o fato de que o "Correa" em meu sobrenome remonta a Diogo Álvares Correa, Caramuru que, ao se casar com Catarina Paraguaçú em 30 de julho de 1524, celebrou a primeira união de amor, Adão e Eva que formaram todo o povo brasileiro.

Esses pontos de autenticidade me conectam profundamente com as raízes indígenas e me inspiram a compartilhar essa herança cultural com as pessoas hoje.

Essa ligação ancestral com a região e as figuras históricas que a habitaram fortalece minha determinação em divulgar o Cauim como bebida genuinamente brasileira e símbolo da rica cultura indígena. Esses elementos históricos são parte integrante da história do Brasil e da minha história. Desta forma, é minha missão trazê-los à tona, valorizando e divulgando este patrimônio cultural para as presentes e futuras gerações.

Ao reconhecer a importância dessas referências históricas e vê-las como fontes de autenticidade, sinto-me ainda mais motivado a levar a cultura indígena aos povos de hoje, por meio do Cauim e da expressão artística do tupi pop. É uma forma de honrar o passado, preservando nossa identidade cultural e criando um legado duradouro que celebra a riqueza e a autenticidade da cultura indígena brasileira.

Entendo perfeitamente que o trabalho de aculturação do Cauim ultrapassa os limites da minha vida, reconheço que a criação desta nova categoria é uma caminhada difícil e longa, que precisa ser continuada e levada adiante por outras gerações depois de mim. Nesse sentido, a arte tem papel fundamental, pois é capaz de transmitir a essência do Cauim e do Tupi pop de forma impactante e imediata.

Por meio da arte, é possível captar a imaginação das pessoas, despertar a curiosidade e dialogar sobre a cultura indígena brasileira e a importância do Cauim. A arte tem o poder de comunicar além das palavras, transmitindo emoções, histórias e ideias de uma forma visualmente apelativa e emocionalmente envolvente.

Utilizando a arte como veículo de expressão, podemos atingir diferentes públicos, despertando seu interesse e envolvimento com a Cauim. É através da arte que podemos estabelecer uma ligação inicial com as pessoas, despertando nelas a sua curiosidade e o desejo de explorar mais profundamente esta bebida milenar e a cultura indígena que a envolve. 

A vida é curta, mas a arte é longa

Se realmente queremos manter o projeto Cauim vivo e evoluindo por gerações e não sabemos como fazer, bem, a dica já foi dada há muito tempo por Hipócrates ( Ο βίος βραχύς, ἡ δὲ τέχνη μακρή." - Ιπποκράτης ), que de fato fez de seu amplo conhecimento sobre o corpo humano e a ética por trás da medicina sobrevivem 2.400 anos após sua morte.

A arte tem a capacidade de transcender as barreiras do tempo, preservando e transmitindo a essência da Cauim por gerações. Por meio da criação artística, podemos contar histórias, transmitir conhecimentos e preservar a memória cultural, garantindo a perpetuação do legado de Cauim para as gerações futuras.

Portanto, reconheço que o trabalho de aculturação de Cauim deve ser levado adiante por outras gerações, e a arte tem papel fundamental nesse processo. É por meio da expressão artística que podemos comunicar de forma impactante a essência do Cauim, despertando nas pessoas o interesse e a conexão com essa bebida ancestral e com a rica cultura indígena que a cerca.

1.6 - A ciência para introduzir o Cauim com sucesso

Parte 1.6.1 A Ciência do Marketing -

Ao longo da história do Brasil, houve várias tentativas de reproduzir o Cauim, sem o uso da amilase salivar, e de oferecê-lo ao público em geral, mas essas tentativas nunca foram bem-sucedidas.

A pergunta que se coloca é "por que Cauim nunca foi disponibilizado ao público em geral?"

A resposta pode ser dividida em duas partes:

-A primeira é que não houve esforço de aculturação e;

-A segunda é que as tradições etílico-culinárias do Brasil são recentes na história, embora Pará e Salvador tenham um estilo próprio e São Paulo tenha ganhado fama internacional com vários pontos positivos no Guia Michelin, o desenvolvimento de nossa gastronomia ainda está na adolescência de o processo de desenvolvimento. O mesmo vale para as bebidas.

Desde o primeiro contato dos colonizadores com o Cauim, eles tentaram torná-lo a bebida preferida localmente, mas rejeitaram a ideia por ser produzida com a saliva das mulheres indígenas, conforme relata o criador da antropologia estruturalista, Claude Lévi- Strauss in Tristes trópicos, 1955 "da fabricação do cauim fermentado pela saliva das virgens... continua, intermediário entre a cerveja e a sopa, e sua degustação é acompanhada de uma repugnância instintiva".

Lery também conta na Histoire d'un voyage faict en la terre du Brésil, de 1578, que os portugueses tentaram produzir o chamado cauim limpo, “moendo e cozinhando a mandioca, sem o processo de mastigação; mas não funcionou".

O fato é que a quebra do amido em açúcares, uma tecnologia muito simples, sempre foi a grande barreira, com tentativas malsucedidas e resultados quase sempre insatisfatórios.

A primeira vez que tive o privilégio de beber Cauim, em rituais ancestrais, fiquei muito emocionado. Encontrei frescor e sabores únicos na bebida, que, na minha opinião, a caracterizam como a bebida brasileira por excelência.

O segundo grande prazer veio quando recriamos a bebida com modernos métodos de produção, quase 450 anos depois de João Ramalho brindar com Tibiriçá em Inhapuambuçu, uma emoção que jamais esquecerei.

Em outro episódio intrigante, durante uma visita a Kyoto para comprar Koji de uma empresa tradicional chamada Hishiroku Moyashi, descobri que um descendente de japoneses havia tentado produzir um tipo específico de Koji capaz de quebrar o amido de mandioca na década de 1970. O indivíduo nunca mais voltou, e o projeto Cauim, que poderia ter começado lá atrás, foi abruptamente interrompido.

Luiz Pagano fazendo pesqisa de koji em Kyoto Japão. ft. business press


Finalmente agora, passados quase 450 anos desde que foi levado para a família por Tibiriça e João Ramalho, o cauim ressurge como uma bebida destinada ao consumo fora dos limites das aldeias indígenas. Sua dedicação e inovação abriram caminho para que o cauim fosse reintroduzido ao público em geral, marcando um marco significativo em seu renascimento.

Ou seja, Cauim nunca terá sucesso comercial se não tiver um esforço direcionado de aculturação, criando uma nova categoria e tornando-os aceitos pelo grande público.

Escola Francesa de Aculturação

Os profissionais de marketing Cultural franceses são reconhecidos como os melhores quando se trata de associar bebidas como vinhos e conhaques à alimentação e promover a aculturação por meio de narrativas elaboradas, com grande capacidade de encantar os consumidores após experiências gastronômicas e alcoólicas, em um ambiente cuidadosamente criado, no qual cada detalhe contribui para um grande impacto mental. 

Um exemplo notável é o caso dos vinhos Champagne, que eram considerados até intragáveis em comparação com seus concorrentes de Bordeaux e Borgonha, mas com a repentina valorização da sensação de bolhas (a "prisse de mousse") pelos consumidores ingleses, Dom Pérignon e Dom Ruinard, que percebeu o potencial do mercado no século XVII, aprimorou o processo de produção e criou todo o marketing em torno do champanhe.

Luiz Pagnao na Pernod Ricard - 12, place des Etats-Unis 75783 PARIS CEDEX 16 ft. business press

Como tive a oportunidade de trabalhar com franceses na Veuve Clicquot e na Pernod Ricard por mais de 10 anos, adoto métodos de aculturação dos produtos franceses e me inspiro em provocar experiências extraordinárias com o produto, visando criar um ‘imprint’ na mente do consumidor.

Mas antes de tudo, o que é 'Aculturação'?

A aculturação é um fenômeno que ocorre quando diferentes culturas entram em contato direto umas com as outras, resultando em mudanças nos padrões culturais originais de ambas. Existem várias definições, como a proposta por Redfield. (1936):

"...aqueles fenômenos que resultam quando grupos de indivíduos com diferentes culturas entram em contato direto, com subseqüentes mudanças nos padrões culturais originais..." (p. 149).

Em seu seminário de verão em 1954, o Conselho de Pesquisa Social propôs a seguinte definição:

"...mudança cultural que é iniciada pela conjunção de dois ou mais sistemas culturais autônomos..." (SSRC 1954, p. 974)

No contexto do marketing, a aculturação pode ser vista como um poderoso recurso para a apresentação e posterior aceitação de novos produtos e serviços, levando em consideração as influências culturais e adaptando-as às necessidades e preferências dos consumidores, conforme denotam Kroeber e Kluckhan (1952 ). ):

"... pensamos que a cultura é um produto; é histórica; inclui idéias, padrões e valores; é seletiva; é aprendida; é baseada em símbolos; e é uma abstração de comportamento e produtos." Todas as culturas são, em grande medida, constituídas por formas abertas e padronizadas de comportamento, sentimento e reação. Mas as culturas também incluem um conjunto característico de promessas tácitas e categorias que variam amplamente entre as sociedades (p. 157).

Esta citação reflete as crenças de que a cultura é aprendida e compartilhada com os outros, e influencia não apenas como uma pessoa se comporta, mas também como se espera que outra se comporte. A melhor maneira de entender a cultura e explicar como a cultura funciona e como ela mudou ao longo dos anos. Por exemplo, muitos antropólogos agora preferem o termo "promulgado" (ao invés de aprendido), que reconhece que as pessoas não apenas aceitam passivamente a cultura, mas ativamente a criam (cf. Keesing 1974; Swidler 1986).

Swidler (1986), em sua análise penetrante, vê a cultura como formadora de um repertório ou "caixa de ferramentas" de hábitos, habilidades e estilos a partir dos quais as pessoas constroem "estratégias de ação" (p. 273). Para agir intencionalmente, o indivíduo precisa de conhecimento processual e contextual, isto é, conhecimento específico de domínio que permite a "racionalidade contextual" (March, 1978, p. 592), além de regras e procedimentos para exibir "racionalidade processual" (Simon 1978, pág. 8). A aquisição de um repertório de hábitos e habilidades, conforme proposto por Swidler (1986), reflete a crença de que o conhecimento relevante para exibir um comportamento intencionalmente racional pode ser aprendido ou realizado em um contexto específico, e que esse conhecimento pode ser (mais ou menos) limitado pelo contexto.

Cauim é uma bebida alcoólica obtida pela sacarificação e co-fermentação simultâneas da mandioca, que foi e ainda é produzida ritualisticamente por diversas culturas indígenas brasileiras. Nesse sentido, seu significado cultural e histórico é de extrema importância, e resgatá-los para o público em geral deve ser feito por meio de uma abordagem de perfeita aculturação, essencial para sua melhor readequação.

Um aspecto crucial da aculturação é entender os elementos culturais únicos de cada uma das etnias e adaptá-los de maneira respeitosa e autêntica. Dentre as mais de 300 etnias presentes em todo o território nacional, é natural que algumas delas optem pela comercialização do Cauim, reconhecendo a possibilidade desta bebida baseada na tradição local, funcionar como uma forma de difusão étnica, trazendo benefícios significativos para a aldeia ou comunidade. . No entanto, é igualmente importante reconhecer que haverá quem considere profanidade que a sua bebida ritual ancestral se torne objeto de consumo do público em geral. Nesse contexto, é fundamental estabelecer o conceito de aldeias/comunidades "optantes" e "não optantes", respeitando a autonomia de cada comunidade em relação ao Projeto Cauim e garantindo a preservação da sacralidade e autenticidade de suas tradições.

Sei que tive um papel fundamental na introdução do Cauim, meu conhecimento da cultura indígena brasileira e minha experiência de trabalho com produtores franceses de bebidas alcoólicas fornecem uma base sólida para adaptar o Cauim ao contexto contemporâneo. Sua visão de resgate cultural e valorização das tradições indígenas é um importante guia para o desenvolvimento e divulgação do produto.

Estudar referências como a Association for Consumer Research (ACR), com suas pesquisas sobre aculturação do consumidor, oferece informações valiosas sobre os fatores ambientais e culturais que influenciam a aculturação do consumidor. Essa abordagem científica fornece uma base teórica sólida para a compreensão das barreiras e incentivos que podem influenciar a adoção do cauim pelo público contemporâneo.

Parte 1.6.2 – Timing de entrada

Determinar se o lançamento de um produto ou serviço está na HORA CERTA parece ser o maior desafio que um profissional de marketing enfrenta ao introduzir uma inovação.

A Xerox Alto foi criada em 1972 no Xerox Palo Alto Research Center (PARC). Ele teve um impacto significativo no design dos PCs nas décadas seguintes, particularmente no Macintosh e nas primeiras estações de trabalho da Sun.

No caso da Xerox e da Apple, podemos dizer que a Xerox estava no caminho errado, enquanto a Apple estava no caminho certo no que diz respeito ao desenvolvimento e comercialização de tecnologias inovadoras.

A Xerox foi pioneira no desenvolvimento de várias tecnologias revolucionárias, como a interface gráfica do usuário e o mouse, que são elementos fundamentais na forma como interagimos com os computadores hoje. No entanto, a Xerox não conseguiu capitalizar adequadamente essas inovações, perdendo a oportunidade de se tornar líder no mercado de computadores pessoais.

A Xerox não percebeu totalmente o potencial comercial de suas inovações e falhou em trazer essas tecnologias de forma eficiente para o mercado. Isso pode ser atribuído a vários fatores, como falta de visão estratégica, cultura corporativa conservadora e ênfase exagerada em seus produtos tradicionais, como copiadoras.

A Apple, fundada por Steve Jobs, por outro lado, adotou uma abordagem diferente. Jobs reconheceu o potencial das tecnologias desenvolvidas pela Xerox e teve a visão de transformá-las em produtos comercialmente viáveis. A Apple lançou o Macintosh, o primeiro computador pessoal com uma interface gráfica de usuário e um mouse, e conseguiu atrair um grande público.

A Apple conseguiu encontrar o momento certo para lançar o Macintosh, aproveitando a crescente demanda por computadores pessoais e a necessidade de uma interface mais amigável. Além disso, a estratégia de marketing da Apple, enfatizando a experiência do usuário e a inovação, também contribuiu para o sucesso da empresa.

Portanto, é justo dizer que a Xerox estava no caminho errado ao não capitalizar adequadamente suas inovações, enquanto a Apple estava no caminho certo ao reconhecer o potencial dessas tecnologias e trazê-las ao mercado de forma eficaz. Isso reforça a importância não só de desenvolver inovações, mas também de identificar o momento oportuno para sua comercialização.

Embora a Xerox tenha desenvolvido tecnologias inovadoras, como o mouse e a interface gráfica do usuário (GUI) na década de 1970, há várias razões pelas quais essas tecnologias não tiveram sucesso comercial imediato e por que a Apple posteriormente o fez. com produtos similares quase 20 anos depois. Aqui estão alguns fatores-chave:

1.6.2.1 - Foco no mercado corporativo: A Xerox, na época, era uma empresa voltada principalmente para o mercado corporativo e empresarial. Suas inovações, como a Xerox Alto, foram projetadas para atender às necessidades de escritórios e laboratórios de pesquisa. Comercializar essas tecnologias para uso pessoal não era uma prioridade;

1.6.2.2 - Alto custo: Os primeiros computadores pessoais desenvolvidos pela Xerox, como o Xerox Alto, eram caros e fora do alcance financeiro da maioria das pessoas. Isso limitou sua ampla adoção no mercado consumidor;

1.6.2.3 - Marketing limitado: A Xerox não conseguiu comercializar de forma eficaz suas inovações para o público em geral. Sua estratégia de marketing e distribuição era mais voltada para clientes empresariais, o que contribuiu para a falta de conhecimento e interesse entre os consumidores convencionais;

1.6.2.4 - Falta de Visão Estratégica: A Xerox, apesar de suas inovações tecnológicas, não conseguiu reconhecer plenamente o potencial comercial dessas tecnologias para uso pessoal. Não capitalizaram adequadamente suas próprias criações e não investiram no desenvolvimento de produtos voltados para o grande mercado consumidor;

1.6.2.5 - A Apple e o foco no design e na experiência do usuário: Já a Apple, ao lançar o Macintosh em 1984, conseguiu combinar as tecnologias desenvolvidas pela Xerox com um design atraente e uma experiência de usuário intuitiva. A empresa tinha uma visão estratégica de tornar a tecnologia acessível e fácil de usar para o público em geral. Além disso, a Apple investiu fortemente em marketing e branding, construindo uma imagem forte e atraindo consumidores.

Esses fatores, combinados com uma série de outras circunstâncias, levaram ao sucesso da Apple no mercado de computadores pessoais e à ampla adoção de tecnologias como o mouse e a GUI. É importante lembrar que o sucesso no mercado depende de uma complexa combinação de fatores, incluindo não apenas a tecnologia em si, mas também estratégia de marketing, preço, design e experiência do usuário.

1.6.3 - Fatores inesperados de aceitação e rejeição

A comparação entre as categorias de bebidas RTD e Energy Drinks revela um contraste interessante em termos de desempenho de mercado. Enquanto a Sub Zero, apesar das altas expectativas e do apoio da famosa marca Foster's, lutou e falhou, a Red Bull prosperou mesmo com expectativas iniciais abaixo das altas.

Um dos fatores determinantes para o fracasso do Sub Zero foi o sabor desagradável do produto, que não conquistou a preferência do consumidor. Por mais que a marca investisse em um branding sólido e realizasse festas de lançamento impressionantes, o sabor enjoativo se tornava um obstáculo significativo para sua aceitação no mercado.


Com graduação alcoólica de 5.5 ABV, era uma cerveja crystal, sem lúpulo, com extrato de lima-limão ( Citrus/Lime) fabricada pela Australiana Foster’s e representada no Brasil pela Madasa, empresa na qual Luiz Pagano foi gerente do segmento de On Premise, como dito anteriormente, no ano de 1999, nesse mesmo ano a Smirnoff lançava como concorrente a Smirnoff Mule, com vodka, ginger ale com sabor lima/limão, que acabou não chegando fortemente ao Brasil - ambas foram flops...

Além disso, a entrada prematura no mercado das bebidas alcoólicas RTD também desempenhou um papel negativo. O mercado ainda não estava preparado para esse tipo de produto, e foi somente anos depois, com o lançamento bem-sucedido da Smirnoff Ice, que a categoria se popularizou.

Luiz Pagano foi o primeiro gerente On Premise da Red Bull no Brasil, ainda importado pela Madasa, que tambem introduzia o pioneiro RTD Sub Zero, bebida alcoólica de 5,5%ABV , percursora da Smirnoff Ice e de todas as outras bebidas da categoria 'Ice', produzida pela cerveja australiana Fosters. ft. business press

Por outro lado, o Red Bull obteve sucesso mesmo com expectativas iniciais modestas. O mercado rapidamente absorveu a categoria de bebidas energéticas, e o produto se destacou pela sua proposta inovadora. A marca identificou uma demanda não atendida pelos consumidores por uma bebida que fornecesse energia e foco, e soube se posicionar como líder nesse segmento. A aceitação do Red Bull superou as expectativas, impulsionada pela sua eficácia e pela habilidade de se conectar com o público-alvo de forma impactante e diferenciada.

Essa comparação entre a Sub Zero e o Red Bull evidencia que, mesmo com altas expectativas e uma marca consolidada, um produto pode falhar no mercado se não atender às preferências dos consumidores, como ocorreu com a Sub Zero devido ao sabor enjoativo. Por outro lado, mesmo com expectativas modestas, um produto inovador e que identifica uma demanda não atendida pode alcançar o sucesso, como demonstrado pelo Red Bull. A compreensão do mercado e das preferências dos consumidores, aliada a uma estratégia de branding e posicionamento eficazes, são cruciais para o êxito de um produto no mercado.

1.7 – ‘DOs & NOT TO DOs’

Promover e popularizar a categoria de bebidas Cauim no Brasil requer uma ampla estratégia de marketing e conscientização. Aqui estão algumas sugestões para ajudar a impulsionar o sucesso da Cauim:

1.7.1 - DO - O que fazer:

1.7.1.1 - Educação e divulgação: É fundamental conscientizar o público sobre o Cauim, sua história, seu processo de produção e seus aspectos culturais. Organizar eventos, palestras, workshops ou degustações para apresentar o Cauim às pessoas, destacando sua autenticidade e valor cultural;

1.7.1.2 - Parcerias estratégicas: Buscar parcerias com chefs, bares, restaurantes e eventos gastronômicos para divulgar o Cauim como opção de bebida. Crie combinações e harmonizações com pratos típicos brasileiros ou faça parceria com marcas e influenciadores que possam ajudar a aumentar a visibilidade do Cauim;

1.7.1.3 - Presença online: Investir numa forte presença online, criando um site ou plataforma dedicada à Cauim. Compartilhe conteúdos informativos, receitas, histórias e depoimentos sobre a Cauim. Utilizar as redes sociais para engajar o público, compartilhando fotos, vídeos e experiências relacionadas ao consumo de álcool;

1.7.1.4 - Festas e manifestações culturais: Participar em festas e manifestações culturais relacionadas com a gastronomia, cervejas artesanais ou bebidas tradicionais. Essas ocasiões são oportunidades para atingir um público diversificado e despertar o interesse por Cauim;

1.7.1.5 - Colaboração com produtores locais: Estabelecer parcerias com produtores locais de mandioca e outros ingredientes utilizados na produção do Cauim. Essa colaboração pode fortalecer a cadeia de suprimentos, promover práticas sustentáveis e valorizar a origem e a qualidade dos ingredientes.

1.7.1.6 - Desenvolvimento de produtos e embalagens atraentes: Criar novas variações ou versões modernas do Cauim para atrair diferentes segmentos de consumidores. Invista em embalagens atraentes com informações claras sobre o produto, destacando sua autenticidade e conexão com a cultura brasileira.

1.7.1.7 - Parcerias institucionais e apoio governamental: Buscar apoio de instituições culturais, órgãos governamentais e entidades ligadas ao setor de alimentos e bebidas. O reconhecimento e o apoio dessas instituições podem agregar credibilidade à Cauim e abrir portas para oportunidades de promoção.

1.7.1.8 - Campanhas de marketing criativas: Criar campanhas de marketing criativas e impactantes para chamar a atenção do público. Use mídias tradicionais e digitais, como anúncios em revistas, rádio, televisão e plataformas online relevantes, para divulgar a Cauim.

1.7.1.9 - Participação em concursos e prémios: Inscrever a Cauim em concursos e prémios de bebidas ou produtos tradicionais. Essas competições podem proporcionar reconhecimento e validação externa, aumentando a visibilidade e credibilidade da Cauim.

1.7.1.10 - Identidade de marca forte: Desenvolver uma identidade de marca sólida para a Cauim, com nome, logotipo e design atrativos e memoráveis.

1.7.2 – DON'Ts - O que não fazer:

No processo de introdução e aculturação do Cauim, é importante evitar alguns erros que possam comprometer sua aceitação e sucesso no mercado. Alguns erros que podem ser previstos são:

1.7.2.1 - Subestimar a pesquisa de mercado: É fundamental realizar uma pesquisa abrangente e detalhada sobre o mercado-alvo antes de introduzir o Cauim. Isso inclui entender as preferências do consumidor, identificar concorrentes e avaliar a viabilidade do produto. Pular essa etapa pode levar ao desconhecimento do mercado e resultar em estratégias inadequadas;

1.7.2.2 - Falta de adaptação cultural: A introdução do Cauim exige sensibilidade cultural e respeito às tradições indígenas. É fundamental compreender os rituais, símbolos e significados associados à bebida e garantir que a sua introdução seja feita de forma autêntica e respeitosa. A não adaptação do produto ou da sua comunicação ao contexto cultural pode levar à rejeição ou desinteresse por parte dos consumidores;

1.7.2.3 - Considerar a concorrência como competição: É saudável para a categoria que existam várias marcas concorrentes, cada uma com sua particularidade e sabor. A introdução de uma nova categoria de bebida no mercado implica na aceitação e crescimento dessa categoria como um todo, e não apenas de marcas individuais e isoladas.

Um erro comum que ocorre na introdução de bebidas, como já aconteceu com algumas marcas de bebidas energéticas no passado, é o comportamento competitivo prematuro das empresas. Durante a fase inicial de criação de uma nova categoria de bebida, as marcas devem se unir para promover o crescimento e a aceitação como um todo, a competição entre as marcas só deve começar quando a categoria estiver madura.

Para ilustrar essa ideia, podemos imaginar um consumidor que visita pela primeira vez uma casa medieval e deseja experimentar o hidromel, bebida até então desconhecida para ele. Se aquela casa tiver exclusividade com apenas uma marca de hidromel e o cliente não gostar daquela marca em particular, ele pode nunca mais querer experimentar outra marca de hidromel e acabará optando por outras categorias de bebidas, como cerveja ou uísque.

No entanto, se essa casa oferecer diferentes marcas de hidromel, mesmo que você não goste das marcas A, B ou C, há uma boa chance de encontrar uma marca D de que goste. Essa diversidade de marcas dentro da categoria proporciona uma maior chance de sucesso para a categoria como um todo. Portanto, é fundamental que as marcas atuem de forma colaborativa e cooperativa durante a fase de introdução, para garantir o crescimento e a aceitação no mercado;

1.7.2.4 - Não estabelecimento de parcerias estratégicas: O sucesso da introdução do Cauim pode ser potencializado por parcerias estratégicas com influenciadores, empresas locais, organizações culturais ou outros atores relevantes. A falha em buscar colaborações e parcerias apropriadas pode limitar o alcance e a visibilidade do produto;

1.7.2.5 - Ignorar os canais de distribuição certos: Escolher os canais de distribuição certos é fundamental para atingir o público-alvo e garantir que a Cauim esteja disponível nos lugares certos. Ignorar ou não adequar os canais de distribuição de acordo com as características do mercado pode dificultar o acesso do consumidor ao produto;

1.7.2.6 - Não investir em marketing e educação do consumidor: Cauim é uma bebida única e pode ser desconhecida de muitos consumidores. A falta de investimento em estratégias de marketing adequadas, incluindo campanhas de conscientização, educação do consumidor e promoção do produto, pode resultar em baixa demanda e falta de compreensão das características e benefícios do Cauim;

1.7.2.7 - Desconsideração da regulamentação e conformidade: É fundamental entender as regulamentações e exigências legais relacionadas à introdução de um novo produto no mercado, incluindo questões de rotulagem, registro e segurança alimentar. A não consideração dessas questões pode resultar em problemas jurídicos e dificuldades na comercialização do cauim;

1.7.2.8 – Evitar esses erros e antecipar os desafios pode contribuir para o sucesso da introdução e aculturação do Cauim, tornando-o uma categoria de bebida valorizada e apreciada no mercado brasileiro e mundial.

1.8 – Conclusão da 1a Parte

Em conclusão, este breve manual sobre a introdução e aculturação do Cauim como bebida comercial no Brasil traz as diretrizes básicas aprendidas nos últimos anos da introdução de diversas bebidas alcoólicas no mercado, representando uma contribuição significativa para a história do Brasil.

Assim como o desenvolvimento do saquê no Japão há mais de 2.000 anos e a criação do champanhe por Dom Perrignon e Dom Ruinard no século 18, a introdução do cauim tem o potencial de transformar a imagem do Brasil no cenário alcoólico mundial.

Essas inovações históricas demonstram como o surgimento de uma nova bebida pode ter um impacto duradouro na cultura, economia e imagem de um país. Ao reconhecer a importância do Cauim como bebida ancestral e genuinamente brasileira, estamos fortalecendo nossa identidade cultural e expandindo as fronteiras da valorização e reconhecimento internacional.

Este documento, portanto, torna-se um documento de extrema importância histórica, assim como o saquê no Japão e o champanhe na região de Champagne, na França, alteraram para sempre a maneira como o mundo vê essas culturas.


Casirirena, barca de fermentação de Caxiri (Cauim) com Tipiti, Tupi antigo Haguino - fermentação 
Luiz Pagano - Tupi Pop

SEGUNDA PARTE – Minhas Estratégias
 
Nesta segunda parte do trabalho, delinearei as estratégias que escolhi para trazer a Cauim ao mercado. Acredito que as empresas envolvidas devem se organizar em dois formatos:

A empresa do primeiro formato será uma Empresa Própria - CAUIM TIAKAU cujo escopo de atuação seria a constituição de uma empresa dedicada à introdução e comercialização da categoria Cauim. Essa empresa se concentraria no marketing, na distribuição e na conscientização da marca entre os consumidores. Seu principal objetivo seria criar demanda e consolidar o Cauim como uma opção de bebida reconhecida e desejável.

O segundo formato envolveria parcerias com aldeias e/ou comunidades indígenas para estabelecer Unidades de Produção de Cauim. Essas unidades seriam responsáveis pela produção do Cauim com métodos e ingredientes tradicionais. Essa abordagem visa preservar o patrimônio cultural associado à produção de Cauim, ao mesmo tempo em que oferece oportunidades econômicas para as comunidades envolvidas. Ao apoiar a produção local, o objetivo é garantir autenticidade e qualidade, promovendo práticas comerciais sustentáveis e justas.

Ao combinar esses dois formatos, podemos criar uma abordagem abrangente que traz a Cauim ao mercado, respeitando suas raízes culturais e apoiando as comunidades indígenas. Essa dupla abordagem permite a comercialização do Cauim e, ao mesmo tempo, promove o desenvolvimento social e econômico das comunidades envolvidas.

2.1 - A Empresa Proprietária - CAUIM TIAKAU, com sede em São Paulo, próximo ao antigo Triângulo Histórico de Inhapuambuçú (região de formação da Vila de São Paulo de Piratininga do Cacique Tibiriçá). Esta já vem realizando trabalhos esporádicos de aculturação de um novo produto, com a apresentação da bebida a clientes geradores de tendências de consumo, através de ativações pontuais e estratégicas, que irão reforçar o trabalho realizado nas aldeias optantes, abrindo uma nova mercado consumidor do produto;


2.2 - Unidades Produtivas de Cauim – UPC, em Aldeias Optando - Ao optarem por aderir ao projeto, aldeias e comunidades indígenas que já sofrem com a falta de recursos cinegéticos e pesqueiros, podem contar com este aporte financeiro extra, desenvolvendo pequenas unidades produtivas de Cauim, aproveitando o que a própria vila tem a oferecer, de forma que esteja em perfeito equilíbrio com as atividades cotidianas, promovendo a cultura da etnia por meio de atividades gastronômicas etílicas, e ainda gerando resultados financeiros escaláveis, com o mínimo de impacto ambiental.

Em resumo, o Projeto Cauim é uma forma de divulgar a cultura das etnias e ao mesmo tempo proporcionar prosperidade econômica.

Em um cenário hipotético, idealizando o futuro, poderíamos ter um mercado com diversas opções, como o Cauim dos Yanomami, o Waurá, o Potiguara, o Emboaba, como expoente de divulgação Cultural e, ao mesmo tempo, atendendo as necessidades de consumidores ávidos e exigentes do mercado gastronômico.

2.1 Responsabilidades da Empresa Proprietária

A Empresa Proprietária - CAUIM TIAKAU é responsável por ser o polo de negócios das unidades produtivas de Cauim, garantindo que a produção seja economicamente viável e socialmente sustentável. A função principal da empresa é fornecer mercado para o Cauim produzido nas unidades produtivas, o que significa que ela é responsável por garantir a distribuição e comercialização do produto nos mercados local, nacional e internacional.
Além disso, a Empresa Dona planeja e executa ações de marketing para aculturamento e desenvolvimento de mercado da nova categoria de Cauim, de forma a promover a visibilidade da bebida e atrair mais consumidores para experimentá-la. Essas ações incluem campanhas publicitárias, eventos de degustação, promoções e outras iniciativas voltadas para a divulgação da cultura indígena por meio da Cauim, a saber:

1.1.1 - Conforme já mencionado, será responsável por ser o polo de negócios das unidades produtivas de Cauim;
1.1.2 Oferece mercado para o Cauim produzido nas unidades produtivas;
1.1.3 Planeja e executa ações de marketing e aculturamento para o desenvolvimento de mercado da nova categoria;
1.1.4 Pode colaborar na definição de práticas produtivas sustentáveis;
1.1.5 Presta assessoria técnica e gerencial às unidades produtivas das vilas optantes, auxiliando na estruturação de negócios sustentáveis e competitivos;
1.1.6 Colabora na definição de embalagens retornáveis e colecionáveis;
1.1.7 Busca valorizar as tradições e saberes das comunidades indígenas envolvidas no processo produtivo;
1.1.8 Propõe parcerias com diversos atores, incluindo órgãos públicos e empresas privadas, para atingir seus objetivos de responsabilidade socioambiental;
1.1.9 Contribui para o desenvolvimento econômico das comunidades indígenas optantes;
1.1.10 Busca respeitar a cultura e as tradições dessas populações e fazer com que sejam protagonistas do processo.

2.2 - Responsabilidades das Unidades de Produção de Cauim - UCP

As Unidades Produtoras Cauim (UCPs) são unidades produtoras de cauim localizadas nas aldeias indígenas (empresas com fins solidários às causas indígenas) participantes do projeto. O objetivo das UPCs é a produção de cauim de qualidade, utilizando técnicas sustentáveis e valorizando as tradições culturais locais.

A aldeia que optar pelo projeto teria uma produção sustentável de Cauim plantaria a mandioca em Mandiomityma (unidades agroflorestais de pluriculturas) e um ambiente de produção de baixo impacto ambiental na aldeia, com vias de fluxo comerciais afastadas do dia-a-dia do povo

As UPCs também desempenham um papel crucial na preservação das tradições culturais das comunidades indígenas. Isso pode ser feito por meio da adoção de técnicas ancestrais de produção do Cauim (desde que respeitando as regras de qualidade do mercado), do uso de garrafas artesanais que traduzem a estética da etnia e mostram sua cultura através da arte e do design, e da valorização do práticas culturais envolvidas na produção do Cauim.

As UPCs também são responsáveis por garantir a sustentabilidade do processo de produção. Isso inclui o uso de técnicas de produção agroflorestal, a adoção de práticas de manejo do solo e da água que não agridam o meio ambiente e a implementação de medidas de conservação e preservação dos ecossistemas envolvidos.

Por fim, as UCPs desempenham um papel importante na geração de renda e no fortalecimento da economia local das comunidades indígenas. Com a produção e comercialização de Cauim de qualidade, as UPCs podem contribuir para o desenvolvimento socioeconômico das aldeias, gerando empregos e estimulando a criação de negócios sustentáveis. Eles farão o papel de produzir o próprio Cauim.

A unidade de produção de Cauim, Kaûĩ apó sará em Tupi-Antigo, é bem símples - conta com uma panela de cocção (Mbeîu motimbora), Chiller (ro'y) e uma dorna de fermentação (Haguino ygua). A estrutura ainda contaria com painéis solares (Kûarasy ybyra), tratamento de dejetos e compostagem, uma loja e centro cultural, para contar um pouco da historia da etnia, cumprindo papel ecológico, cultural e gerando retorno financeiro

O Cauim pode ser produzido a partir da mandioca pura ou misturada com outras matérias-primas, cultivada em plantações em sistemas agroflorestais nas aldeias. A empresa incentiva e apoia a produção sustentável nas aldeias, garantindo que a agricultura seja realizada com responsabilidade e de acordo com os padrões de qualidade exigidos para Cauim.

As garrafas utilizadas com as 'containers' Cauim podem ser feitas de forma artesanal, utilizando a estética da etnia e mostrando sua cultura através da arte. A ideia é aproveitar ao máximo seus próprios recursos e contar sua própria história, valorizando a cultura e a identidade das etnias optantes.

Em resumo, a Empresa Proprietária - CAUIM TIAKAU tem por objetivo garantir a viabilidade econômica e social do Cauim, promover a visibilidade da bebida por meio de ações de comercialização e aculturamento, incentivar a produção sustentável da mandioca nas aldeias e valorizar a cultura e identidade indígena. através da arte e estética da garrafa.

Nada está escrito na pedra

O presente planejamento estratégico empresarial tem critérios claros que incluem o respeito à cultura indígena e a promoção do desenvolvimento sustentável das comunidades envolvidas, mas é apenas uma sugestão viável em que uma Empresa Proprietária seja associada a uma Unidade de Produção de Cauim - UCP, através investimento inicial previsto de R$ 700.000,00.

Porém, é importante dizer que essa proposta não é fixa, que qualquer outro formato de negócio pode ser viável, desde que atenda aos seguintes critérios:

2.2.1- Os processos de produção devem ser nomeados em tupi antigo e também na língua da etnia optante;
2.2.2- Cada etnia deve ser protagonista do conceito, sabor e ativações do seu Cauim, com o auxílio da empresa Empresa Proprietária;
2.2.3- A vila que optar pelo projeto deverá receber benefícios financeiros e culturais, maiores ou iguais aos da Empresa Proprietária, nunca menores;
2.2.4- Caso a UPC não seja aldeia indígena, parte da renda líquida deverá ser revertida para causas indígenas.

Também é importante ressaltar que qualquer forma de parceria deve atender a esses critérios, principalmente o de nomear os processos produtivos em Tupi Antigo, permitindo assim que cada etnia seja protagonista de seu próprio Cauim e garantindo que as aldeias optantes recebam grande retorno financeiro e benefícios culturais.

2.3- Ponto de Convergência

Ironicamente, a mais antiga bebida brasileira existente, produzida antes mesmo da chegada dos colonizadores portugueses, não possuía uma lei de comercialização específica.

Quando ficamos sabendo sobre o projeto de alteração do Decreto que regulamenta as bebidas alcoólicas no mercado brasileiro, fiz questão de solicitar a terminologia CAUIM para bebida alcoólica fermentada de mandioca, que existe desde muito antes da chegada dos colonizadores portugueses.

Como já havíamos iniciado o desenvolvimento dos processos produtivos do Cauim em 2011, vínhamos preparando e aprimorando a bebida a cada mosto, em parceria com diversos parceiros, entre eles a Fatec De Araçatuba, do professor Hildo Sena.

Cauim foi apresentado a chefs, bartenders e clientes formadores de opinião com o objetivo de aprimorar o produto. Com isso, reunimos extensa documentação que não só abrange detalhes da produção, mas também mostra a importância cultural, socioeconômica e de representatividade nacional que Cauim pode ter.

Em abril de 2022, foi realizada consulta pública para a revisão do Decreto nº 6.871, de 06/04/2009 (Decreto 6871/09), que regulamenta a Lei nº 8.918 (Lei 8918/94), de 14 de julho de 1994, sobre bebidas alcoólicas.

Estávamos preparados, e muito rapidamente entregamos extensa e criteriosa documentação explicando a importância sócio-cultural e representativa da bebida.

Com isso, desde dezembro o CAUIM já consta na conta, UMA GRANDE CONQUISTA!

...mas muito ainda precisa ser feito.


2.4- Análise de mercado

O mercado de alimentos e bebidas está em constante crescimento, com uma demanda crescente por produtos sustentáveis e com valor cultural. O Cauim pode se destacar nesse mercado por ser uma bebida tradicional e com forte apelo cultural.

O projeto pode atuar tanto no mercado nacional quanto internacional, explorando a valorização das culturas indígenas e a preocupação com a sustentabilidade.

- Aqui vemos a estratégia de introdução de produtos seguindo a linha da Pirâmide de Formadores de Opinião, na qual o lançamento deve ser feito ao consumidor com maior potencial de formar novos consumidores, gerando desejo de consumo em cadeia.

Como eu, a maioria dos parceiros envolvidos no processo de desenvolvimento do Projeto Cauim são ex-colegas da Pernod Ricard, então aplicamos muito da nossa experiência internacional para projetar um produto de acordo com o público-alvo identificado.

Pesquisas realizadas mostram que o consumidor pertencente ao mainstream, ao contrário do consumidor das elites, ainda não está preparado para receber os novos produtos endógenos brasileiros.

Nesse sentido, concentramos nossos esforços no desenvolvimento de uma bebida premium para ser consumida em restaurantes como o DOM de Alex Atala e o Hotel Emiliano, em harmonia com a mais sofisticada gastronomia brasileira e abrindo caminho para a elaboração de drinks de excelência na coquetelaria mundial. indústria.

Devemos considerar também o chamado 'efeito Havaianas', em que algo que é valorizado fora do Brasil também passa a ser muito valorizado no país.

Outro ponto bastante interessante é que uma pesquisa realizada em 2011, quando o projeto teve início, apontava uma dualidade na percepção de qualidade dos produtos com nomes indígenas, principalmente os de origem tupi. Enquanto marcas como Iguatemi e Jaguar são associadas a produtos de alta qualidade, outras como Tabajara e Caramurú podem ser vistas como caricaturas e de qualidade inferior.

Acrescentar elementos da cultura japonesa ao marketing da Cauim, como a estética moderna e disruptiva do consumo japonês, pode ajudar a superar essa percepção negativa, já que a percepção de qualidade é um fator crucial na decisão de compra do consumidor.

Nesse sentido, chegamos à marca TIAKAU (do antigo tupi T'ÎAKA'U! , que significa VAMOS BEBER!)

Ere'u-potarype amõ mani? T'ÎAKA'U!
Quer beber um pouco de Mani? SIM, VAMOS BEBER!!

2.5- Estratégia de marketing

A estratégia de marketing do projeto evidenciará o valor cultural e a sustentabilidade do Cauim com uma forte aposta na geração do desejo de experimentação e consequente criação de hábitos de consumo.

Os investimentos serão direcionados para estratégias de divulgação da cultura e tradições indígenas, mostrando a importância da bebida e das comunidades envolvidas no processo produtivo, gerando grande apelo para experimentação e criação de hábitos de consumo, com base nos dois pilares básicos da comunicação;

2.5.1- o excessivo esforço de comunicação e treinamento no Cauim;
2.5.2- ativações deslumbrantes de produtos,
A promoção de ativações de produtos deslumbrantes gera um forte estímulo de recall em clientes líderes de pensamento, para que possam ser transmitidos ao criador de tendências primário, depois ao secundário e, finalmente, com repercussões em cascata para o mainstream.

Também utilizaremos a clássica estratégia de lançamento nos canais On-Premise e Off-Premise, em que as ações On repercutem diretamente no Off, de formadores de opinião conscientes, como redes sociais, eventos culturais e feiras de alimentos e bebidas.

Também é importante destacar a preocupação com a sustentabilidade do processo produtivo, valorizando práticas agroflorestais, emissão zero de CO2, gerenciamento de resíduos com embalagens retornáveis e peças criadas com técnicas da própria etnia (ex.: vasos típicos que servem de garrafas de Cauim, que podem ser colecionáveis pelos consumidores e se tornarem peças que comunicam a cultura da etnia por meio da arte).

2.6 - Métodos de Produção do Plano Operacional

São três os processos de produção do CAUIM (até agora) com nomes em tupi antigo - uma espécie de língua franca indígena falada aqui até 1790.

O processo mais antigo conhecido é o ancestral, no qual a quebra do amido em açúcares é feita com a amilase salivar (Aîpi o- su'u su'u I nomu, literalmente mastigação e salivação das mulheres).

Porém, para fins industriais, o CAUIM pode ser produzido pelo processo enzimático, desenvolvido por Hildo Sena, ou pelo processo japonês, desenvolvido por Luiz Pagano.

Sabẽ M'baraká para polvilhar o sabẽ, o koji, na fase do Sabẽ nonga (colocação dos esporos em Tupi Antigo) que atua como substituto da amilase salivar para decompor o amido em açúcares no processo Japonês/ Pagano - Luiz Pagano Tupi Pop. A Maraca tem importância que vai alem da força rítmica, dentro do pensamento mágico e espiritual ancestral de nossas etnias, tal como o corpo humano é embalado pelo som emitido pelo espírito, que habita nossos interiores, as pedrinhas e sementes colocadas dentro da cabaça, emitem o som da vida.

2.6.1 Métodos de Produção – Enzimático ou Senna


No método enzimático por Hildo Sena, a matéria-prima é a fécula de mandioca (MANIKUERA em tupi antigo);

1- T-Y-PûERA MBO'YÚ–SARA (fase de hidratação) nesta fase exclusiva do processo enzimático, a fécula de mandioca é hidratada com água e Amilase;

2- SABẽ APó, nome em tupi antigo para a colocação da enzima AMG e assim promover a quebra dos amidos em açúcares;

3- T-Y-PûERA MOPUPU RA–SARA (fase de fervura do caldo)

4- HAGUINO, o processo termina com fermentação alcoólica em cuba (KAUBA), filtração (Mbeîu mogûaba) e engarrafamento (Ybyraygá pupé).

2.6.2 Métodos de Produção – Japonês ou Pagano

No método japonês desenvolvido por Luiz Pagano, a matéria-prima é a pérola da mandioca (ITAITINGA BEIJU em tupi antigo);

1- Mbeîu motimbora (cozimento no vapor do beiju), nesta fase exclusiva do processo Pagano, a pérola da mandioca é cozida no vapor;

2- Para borrifar os esporos (Sabẽ nonga), usei um Sabẽ M'baraká, uma espécie de recipiente com tela, semelhante a um maracá;

4- HAGUINO, o processo termina com fermentação alcoólica em cuba (KAUBA), filtração (Mbeîu mogûaba ) e engarrafamento (Ybyraygá pupé).

2.7 - Parceiros

O Projeto prevê que as UPCs que serão implantadas nas comunidades indígenas trabalhem em conjunto com agentes públicos e privados, que darão suporte para a produção sustentável do Cauim. Será importante garantir que as etnias sejam protagonistas do processo produtivo, garantindo a valorização de suas tradições e saberes, mas com total apoio da área de logística e marketing do escritório de São Paulo.

Esses agentes serão:

Como o MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA): já deu o primeiro passo ao reconhecer Cauim por lei, também poderá estabelecer padrões de qualidade e segurança alimentar, além de prestar assistência técnica e financeira às comunidades indígenas envolvidos no processo.

O processo operacional do projeto Cauim prevê parcerias com diferentes atores, incluindo órgãos públicos e empresas privadas, para atingir seus objetivos de responsabilidade socioambiental, a saber:

Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária: A Embrapa contribuirá com sua expertise em pesquisa e inovação agropecuária para desenvolver técnicas mais eficientes de cultivo e produção de mandioca, além de trabalhar para melhorar a qualidade do cauim produzido nas aldeias optantes.

Fundação Nacional do Índio; A FUNAI apoiará o projeto Cauim promovendo o diálogo com lideranças indígenas e comunidades optantes, garantindo que o projeto respeite a cultura e as tradições dessas populações e garantindo que elas sejam protagonistas do processo .

Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE): o SEBRAE poderia prestar assistência técnica e gerencial às unidades produtivas das vilas optantes, auxiliando na estruturação de negócios sustentáveis e competitivos.

Ministério do Meio Ambiente (MMA): O MMA poderá contribuir com o projeto Cauim oferecendo orientações sobre práticas produtivas sustentáveis e gestão ambiental, além de fornecer apoio técnico e financeiro para projetos de preservação e conservação dos ecossistemas envolvidos no processo produtivo.

Entre outros,

Por fim, empresas do setor privado podem fornecer apoio financeiro e logístico para a implantação e divulgação do projeto Cauim, bem como colaborar na definição de práticas produtivas sustentáveis e no desenvolvimento de embalagens retornáveis e colecionáveis.

2.8 - Plano Financeiro

O projeto tem potencial para gerar receita com a venda de Cauim. Será importante garantir que as comunidades indígenas envolvidas no processo sejam remuneradas de forma justa e que o projeto seja financeiramente sustentável.

Planilha 1 PCU:


Planilha 1 CAUIM TIAKAU:


2.8.1 - Unidade de Produção em Vila ou similar

Com base nos dados projetados, podemos calcular o

Ponto de equilíbrio atingido em 18 meses.

Para calcular o ponto de equilíbrio, consideramos os custos fixos e variáveis da empresa. Custos fixos são aqueles que não variam com o volume de vendas, como aluguel, salários, etc. Custos variáveis são aqueles que variam com o volume de vendas, como matérias-primas, comissões de vendas, etc.

Considerando que temos apenas uma Unidade de Produção nas Aldeias Optantes, conforme demonstrativo anexo, podemos supor que a empresa tenha custos fixos de R$ 437.493,10/18 = R$ 24.305,17 por mês. As vendas mais bônus somam R$ 493.074,92 + R$ 34.223,25 = R$ 527.298,17 em 18 meses, o que dá uma média mensal de R$ 29.294,34.

Subtraindo os custos fixos do faturamento médio mensal, temos:
R$ 29.294,34 - R$ 24.305,17 = R$ 4.989,17.

Isso significa que a empresa precisa vender, em média, R$ 4.989,17 por mês para cobrir seus custos e atingir o ponto de equilíbrio no período de 18 meses. Se a empresa vender menos que esse valor, terá prejuízo; se você vender mais, terá lucro.

Como o resultado da empresa foi de R$ 21.358,57, podemos concluir que já ultrapassou o ponto de equilíbrio e está tendo resultados positivos.

2.8.2 - Empresa Proprietária - CAUIM TIAKAU, com sede em São Paulo, próximo ao antigo Triângulo Histórico de Inhapuambuçú

Com base nos dados projetados, podemos calcular o ponto de equilíbrio em 18 meses.

Para calcular o ponto de equilíbrio, consideramos os custos fixos e variáveis da empresa. Custos fixos são aqueles que não variam com o volume de vendas, como aluguel, salários, etc. Custos variáveis são aqueles que variam com o volume de vendas, como matérias-primas, comissões de vendas, etc.

Considerando que temos apenas uma Unidade de Produção nas Aldeias Optantes, conforme demonstrativo anexo, podemos supor que a empresa tenha custos fixos de R$ 437.493,10/18 = R$ 24.305,17 por mês. As vendas mais bônus somam R$ 493.074,92 + R$ 34.223,25 = R$ 527.298,17 em 18 meses, o que dá uma média mensal de R$ 29.294,34.

Subtraindo os custos fixos do faturamento médio mensal, temos:
R$ 29.294,34 - R$ 24.305,17 = R$ 4.989,17.

Isso significa que a empresa precisa vender, em média, R$ 4.989,17 por mês para cobrir seus custos e atingir o ponto de equilíbrio no período de 18 meses. Se a empresa vender menos que esse valor, terá prejuízo; se você vender mais, terá lucro.

Como o resultado da empresa foi de R$ 21.358,57, podemos concluir que já ultrapassou o ponto de equilíbrio e está tendo resultados positivos.

2.8.3 - Parceria entre Empresa Proprietária - CAUIM TIAKAU & Unidade de Produção Cauim

A parceria entre o escritório de São Paulo e a unidade de produção de Cauim foi, do ponto de vista financeiro, um sucesso, pois atingiu o ponto de equilíbrio em 18 meses, o que significa que a receita gerada foi suficiente para cobrir todos os custos e investimentos realizados durante este período.

Além disso, é possível que a expansão dos negócios com o aumento do número de unidades produtivas da Cauim possa gerar maior receita para o escritório de São Paulo, pois haverá mais produtos a serem vendidos e mais unidades gerando lucro.

Por fim, a parceria entre o escritório de São Paulo e as unidades produtivas de Cauim pode gerar visibilidade e divulgar a cultura e os valores dos povos indígenas envolvidos no negócio, o que pode ser um importante fator de responsabilidade social e valorização da diversidade cultural.

Considerando que o investimento inicial do escritório de São Paulo foi de R$ 437.493,10 e o da Unidade Produtiva de Cauim foi de R$ 248.424,03, o investimento total foi de R$ 685.917,13.

Com a volta do ponto de equilíbrio em 18 meses e resultado positivo de R$ 52.311,65, pode-se inferir que o investimento inicial foi recuperado e que houve lucro adicional.

Porém, é importante lembrar que esses valores são aproximados e podem variar em função de diversos fatores, como eficiência de produção, desempenho de vendas, custos adicionais, entre outros.

2.9- Eventos

2.9.1 - Jantar harmonizado no Hotel Toriba

Uma das primeiras experiências que tivemos com eventos para promover o Cauim foi o primeiro jantar harmonizado com Cauim, fora de uma aldeia indígena, para o público consumidor brasileiro. Luiz Pagano e Hildo Sena serviram o ainda experimental CAUIM TIAKAU para ser degustado e harmonizado com releituras de pratos indígenas.

Após uma breve palestra sobre o Cauim e seu papel como bebida de excelência genuinamente brasileira, servida exclusivamente por mais de 305 etnias indígenas em todo o Brasil, o Cauim foi oferecido e o público pôde desfrutar de uma degustação técnica e, em seguida, foi servido para acompanhar os pratos.

"Nossa proposta é fazer com que o Cauim ultrapasse as fronteiras das aldeias indígenas e sirva como bebida de integração, reduzindo cada vez mais a grande distancia cultural que nos separa dos irmãos nativos, promovendo o respeito, amizade e integração" disse Luiz Pagano.

O Magnifico jantar, executado com excelência pelos alunos do SENAC Campos do Jordão, no restaurante Toriba de Campos do Jordão, em meio a Serra da Mantiqueira, sob a regência do professor Vitor Pompeu, contou com a Chef Indígena Kalymaracaya da etnia Terena de Aquidauana e o Chef Caiçara Fábio Eustáquio de Ubatuba, que criaram os pratos do menu com 5 tempos: o couvert, entrada, prato principal 1 e prato principal 2 de sobremesa.

Preparado para servir 50 pessoas e com o retorno financeiro totalmente revertido à APAE, o menu foi:

COUVER
Pão de inhame com manteiga de nibs de cacau e manteiga de castanha de caju.
Sardinha com salada pancs e sagu suflado

ENTRADA
Sardinha com salada pancs e sagu suflado

PRATOS PRINCIPAIS
Siri Pupunha


Carne de Javali com molho de tucupi preto e branco - Terra e Rio

Terra e Rio (com tucupi preto e branco)

SOBREMESA

Banana empanada frita com sorvete de coco e doce de caju

2.9.2 – Palestras sobre Enquadramento Histórico

Não se sabe se na história do Brasil houve um jantar nesse sentido, o Cauim, mandioca fermentada cujo processo de produção original a transformação promove a quebra dos amidos em açúcares por meio da mastigação e espeto tradicionais, sempre foi servido nas aldeias indígenas.

Na história do Brasil João Ramalho, conhecido como 'O Pai dos Paulistas' foi talvez o primeiro europeu a beber Cauim em família, nos anos de 1530~1545, ao lado de seu sogro cacique Tibiriçá, sua esposa Bartira, junto com seus familiares. Assim como ele, outros europeus que decidiram se casar e adotar o estilo de vida das tribos também consumiam cauim em suas refeições.

2.9.3 - Degustação no Bar Convent Brasil, BCB em São Paulo

No dia 18 de junho de 2019, participamos da primeira edição do maior evento de bares e bebidas do mundo, o BCB São Paulo, com degustação e palestra para profissionais do mercado de bebidas, incluindo chefs de bares, restauradores, entre outros grandes players do mercado.

Luiz Pagano e Hildo Sena apresentaram Cauim para formadores de opinião da indústria de bebidas com degustação e palestra, para mais de 60 pessoas no BCB Bar Convent em 2019, São Paulo. ft. business press

2.9.4 - Festa do Anhangá no Vale do Anhangabaú (importante bairro central de São Paulo)

Outra ideia interessante para divulgar o Cauim Tiakau e sua ligação com a cultura e história indígena brasileira é a comemoração do Dia do Conservador das Matas, 17 de julho, com festa do Anhangá no Vale do Anhangabaú.

O Anhangá é uma figura lendária na cultura indígena brasileira, geralmente retratado como um gigante cervo branco com olhos vermelhos. Ele é considerado o protetor da natureza e persegue aqueles que a desrespeitam e caçam indiscriminadamente, especialmente aqueles que matam filhotes ou mães que estão criando seus filhotes e poluem as águas.

O Anhangá é comumente retratado como um veado branco, de tamanho atroz, com olhos vermelhos da cor de fogo. Ele é o protetor da natureza e persegue todos aqueles que caçam de forma indiscriminada, desrespeitam a natureza e pune quem caça filhotes ou matrizes que estão nutrindo suas crias e poluem suas águas. O vale do rio Anhangabaú era sagrado, os habitantes de Piratininga faziam cultos e festas para deixar o deus mais feliz e menos vingativo. Hoje nós não só afogamos o rio do Anhangá, como também nos esquecemos do espírito mor de nossa cidade. Desprezarmos nossas tradições tupiniquins dessa forma é imperdoável!

O vale do rio Anhangabaú era sagrado para os habitantes de Piratininga, que realizavam cultos e festas para agradar ao deus e evitar sua ira. Hoje, o rio Anhangá foi canalizado e nossa cidade parece ter esquecido suas tradições tupiniquim. Esquecer nossas tradições culturais dessa forma é lamentável e merece atenção para a preservação dessas histórias e memórias.

Festa proprietária com o papel de destacar a importância da preservação das florestas e da cultura indígena, além de celebrar o importante rio da Aldeia do Inhapuambuçu, o Rio Anahngabaú seria uma oportunidade única de divulgar a bebida Cauim Tiakau e sua ligação com a história desde o centro antigo de São Paulo de Piratininga. A inclusão de bebidas tradicionais em comemorações culturais pode ser uma forma de aumentar a conscientização e engajamento sobre a importância da preservação cultural e ambiental.

2.10 - Análise SWOT – Pontos Fortes

Podemos destacar os seguintes pontos fortes do Projeto Cauim:

Resgate cultural: O projeto busca resgatar a cultura brasileira, mais especificamente as indígenas, por meio da recriação de um fermentado alcoólico de mandioca emblemático e milenar.

Desenvolvimento sustentável: O projeto promove o desenvolvimento sustentável das comunidades envolvidas no processo, por meio do incentivo à criação de unidades produtivas de cauim que aproveitem ao máximo os recursos disponíveis na própria aldeia, minimizando o impacto ambiental.

Geração de renda: as unidades produtoras de Cauim podem gerar renda extra para as aldeias e comunidades indígenas que optarem por participar do projeto.

Potencial de mercado: O Cauim pode se tornar um produto diferenciado e de destaque no mercado gastronômico, atendendo a consumidores exigentes que buscam produtos autênticos e com valor cultural.

Parcerias estratégicas: O projeto já conta com uma empresa proprietária estabelecida em São Paulo, que vem realizando trabalhos esporádicos de aculturação do novo produto e criando ativações estratégicas para reforçar o trabalho realizado nas vilas optantes.

Todas essas forças contribuem para o sucesso do projeto, que tem potencial para se tornar uma iniciativa socialmente responsável e rentável.



2.10.2 – Análise SWOT – Fraquezas
Podemos destacar as seguintes fragilidades do Projeto Cauim:

Dependência de recursos naturais: como a bebida é produzida a partir da mandioca, o projeto depende da disponibilidade desse recurso natural. Se houver problemas climáticos ou outros fatores que afetem a produção de mandioca, isso pode impactar negativamente a produção de cauim.

Sensibilidade ao processo produtivo: A produção do Cauim é um processo complexo e delicado, que requer cuidados específicos para garantir a qualidade e segurança do produto final. Erros no processo podem levar a resultados insatisfatórios ou até mesmo perigosos para o consumidor, o que pode prejudicar a reputação do projeto.

Dependência de parcerias: como o projeto depende de parcerias com comunidades indígenas para a produção do Cauim, problemas nessas relações podem afetar o fornecimento de matéria-prima e a qualidade do produto final.

Exposição às mudanças do mercado: embora a ideia de valorizar a cultura indígena por meio da produção do cauim possa ser um diferencial competitivo, é possível que o consumidor não esteja disposto a pagar um preço mais alto por um produto considerado exótico. Além disso, mudanças nas tendências de consumo podem afetar a demanda pelo produto.

Dificuldades na obtenção de investimentos: o projeto requer um investimento significativo para se consolidar, o que pode ser um desafio em um cenário econômico incerto ou em uma situação de desinteresse dos investidores por projetos de impacto social e cultural.

2.10.3 – Análise SWOT – Oportunidades

Podemos destacar as seguintes oportunidades do Projeto Cauim:

Crescente interesse pelo consumo de bebidas artesanais e produzidas localmente, o que pode gerar demanda por produtos como o Cauim, que valorizam a cultura e as tradições indígenas.

Potencial para explorar o turismo cultural, oferecendo experiências únicas em visitas às aldeias produtoras de Cauim, gerando renda para as comunidades e promovendo a divulgação da cultura indígena.

Há possibilidade de colaboração com empresas de turismo e alimentação para ampliar a divulgação dos produtos e oferecer experiências envolvendo a bebida e a cultura indígena.

O mercado de bebidas alcoólicas apresenta constantes mudanças e inovações, que podem abrir espaço para a Cauim como uma opção exótica e diferenciada.

A crescente consciência ambiental e o consumo sustentável podem agregar valor aos produtos produzidos de forma consciente e com mínimo impacto ambiental, como é o caso do Cauim produzido pelas Unidades de Produção do Cauim em vilas optantes.

2.10.4 - Análise SWOT – Riscos

Podemos destacar os seguintes riscos do Projeto Cauim:

Risco operacional: por se tratar de um produto alimentício, é preciso estar atento aos aspectos sanitários e de qualidade em todo o processo de produção, armazenamento e distribuição. Qualquer problema nesse sentido pode afetar a reputação da empresa e a confiança do consumidor no produto.

Risco de mercado: o mercado de bebidas alcoólicas é muito competitivo e volátil, com mudanças constantes nas preferências dos consumidores. Além disso, o sucesso do projeto depende da capacidade da empresa em conquistar e manter a fidelidade do consumidor. Qualquer falha na estratégia de marketing ou distribuição pode comprometer a aceitação do produto no mercado.

Risco financeiro: operar um negócio envolve custos e despesas que precisam ser geridos de forma eficiente para garantir a sustentabilidade financeira. Além disso, conseguir financiamento para o projeto pode ser um desafio, principalmente em um cenário de instabilidade econômica.

Risco ambiental: A produção de Cauim pode envolver o uso de recursos naturais e a geração de resíduos, que podem impactar o meio ambiente e gerar passivos ambientais se não for feita de forma responsável e sustentável.

Risco regulatório: é importante o cumprimento de normas e regulamentos relacionados à produção e distribuição de bebidas alcoólicas, além de questões relacionadas ao uso de recursos naturais e preservação do meio ambiente.

Para minimizar esses riscos, o projeto deve contar com um planejamento sólido, profissionais qualificados e comprometidos com a qualidade e sustentabilidade, além de um plano de contingência para lidar com possíveis problemas que possam surgir ao longo do caminho.



2.11 - Conclusão Geral

É com muita gratidão e satisfação que apresentamos o Projeto Cauim.

Acreditamos que esta iniciativa tem potencial para gerar benefícios significativos para a cultura brasileira, promovendo o desenvolvimento sustentável das comunidades envolvidas e, ao mesmo tempo, abrindo novas oportunidades de mercado no setor gastronômico.

Agradecemos a todos que dedicaram seu tempo para conhecer melhor o projeto e nos colocamos inteiramente à disposição dos investidores e interessados que queiram se juntar a nós nessa empreitada. Acreditamos que, juntos, podemos transformar essa ideia em realidade, fortalecendo a cultura indígena e contribuindo também para o desenvolvimento social e econômico do país.

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